Desafios em São Paulo: Uma Luta pela Mobilização
Após sua vitória apertada sobre Jair Bolsonaro em outubro de 2022, Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso que refletia o acirramento da disputa política. Com uma vantagem de apenas 1,8 ponto percentual sobre o adversário, Lula viu sua vitória ser consolidada principalmente no Nordeste, onde obteve sucesso em todos os nove estados. Contudo, os olhos do PT sempre estiveram voltados para os dois maiores colégios eleitorais do país, São Paulo e Minas Gerais. Em São Paulo, Fernando Haddad, apesar de ter avançado ao segundo turno contra Tarcísio de Freitas, deixou de conquistar o governo, mas conseguiu somar 11,5 milhões de votos à campanha presidencial. Em Minas, Lula venceu Bolsonaro por uma margem de 0,4 ponto percentual e garantiu mais 6 milhões de votos. Com a proximidade das eleições de 2026, o desempenho nessas regiões chave será crucial.
Atualmente, com menos de nove meses até as eleições, Lula enfrenta o desafio de montar sua base em São Paulo. Uma estratégia organizada pelo presidente e pelo PT é a mobilização de ministros como uma ‘tropa de elite’ para fortalecer a candidatura no estado. Embora haja especulações sobre a possibilidade de Geraldo Alckmin, atual vice-presidente, entrar na disputa, essa ideia tem ganhado menos força, dado a pressão do PSB para mantê-lo na chapa com Lula. Nomes como Fernando Haddad e Simone Tebet estão sendo considerados. A mudança de domicílio eleitoral de Tebet, que vem de Mato Grosso do Sul, também tem gerado discussões. Uma vez definido o candidato ao governo, o outro pode se candidatar ao Senado, possivelmente com apoio de figuras influentes como Marina Silva.
Os Complicadores da Formação da Chapa
Entretanto, conseguir que essa ‘tropa de elite’ entre em ação não será uma missão fácil. Convencer ministros como Alckmin e Haddad a assumir candidaturas não é apenas uma questão de vontade individual, mas também envolve interesses partidários. Por exemplo, Tebet precisaria não apenas se estabelecer em São Paulo, mas encontrar um novo partido, já que o MDB, seu atual partido, é sob a liderança de aliados de Tarcísio. Marina Silva, que já perdeu o controle do partido que fundou, negocia sua filiação com o PT, além de outras siglas.
O cenário é ainda mais complicado pela indefinição sobre Tarcísio. Recentemente, Flávio Bolsonaro anunciou que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o apoiará na corrida, mas ainda existem articulações para que o governador também considere uma candidatura à presidência. Enquanto isso, Tarcísio se posiciona como candidato à reeleição, mas mantém a ambição presidencial nos bastidores. Como resultado, a corrida para o Palácio do Planalto continua em aberto, com o PT se preparando para diversos possíveis cenários.
A Incerteza em Minas Gerais
Se a situação em São Paulo é desafiadora, a situação em Minas Gerais não é menos complexa. O PT, que há mais de um ano apostava no apoio ao ex-presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco, agora se vê em busca de alternativas, já que não há uma posição clara do senador. As discussões envolvem figuras chave do partido, como Edinho Silva, presidente do PT, e Carlos Lupi, do PDT. O PT também pode reavaliar sua postura em relação ao ex-prefeito Alexandre Kalil, que agora está no PDT e mostra resultados positivos nas pesquisas.
Marília Campos, prefeita de Contagem e reconhecida como uma das principais lideranças petistas em Minas, está buscando alternativas para formar uma base sólida para Lula no estado. A articulação de Kalil, embora tenha sido improvável há alguns meses, está agora sendo vista como uma opção viável. Contudo, Kalil mantém uma postura de independência, flertando com ambas as alas política.
Perspectivas para Lula e o Futuro Eleitoral
É um momento paradoxal para Lula, que, apesar de liderar as pesquisas, enfrenta uma rejeição significativa, com 54% do eleitorado expressando descontentamento. Com um governo que apresenta 49% de reprovação, Lula precisa lidar com a pressão adicional de estabelecer bases sólidas em São Paulo e Minas Gerais para garantir suas chances de reeleição. Nesse cenário, enfrentar uma campanha com palanques frágeis pode representar um risco significativo para suas aspirações de um quarto mandato.
