A Nova Realidade Política Brasileira
O cenário político brasileiro está passando por uma transformação significativa com a iminente saída de até metade dos governadores em busca de novos cargos. Esta situação impõe um desafio considerável para os vices, que buscam capitalizar a oportunidade e se posicionar para a sucessão. Em entrevista recente, Edson Fachin, presidente do STF, afirmou: ‘Não vou cruzar os braços. Doa a quem doer’, revelando a urgência e a determinação necessárias neste contexto político.
Um aspecto central nessa nova configuração é a importância da comunicação digital nas campanhas eleitorais. Especialistas apontam que, apesar da fragilidade da presença nas redes sociais, a aproximação com figuras conhecidas e o governador em exercício pode impulsionar a visibilidade dos vices. À medida que os governadores precisam se desincompatibilizar para concorrer a novos cargos, a oportunidade de assumir a chefia do Executivo se torna um trampolim para a projeção política dos vices.
A Saída dos Governadores e Suas Consequências
Conforme noticiado pelo O GLOBO, 11 dos 18 chefes estaduais, que não poderão concorrer à reeleição, já indicaram suas candidaturas ao Senado, enquanto outros três se prepararam para uma disputa presidencial. Isso significa que os vices terão a chance de assumir as rédeas do governo no período eleitoral. Essa transição pode ser decisiva para sua projeção política, especialmente considerando que a maioria deles nunca ocupou uma posição de destaque em eleições majoritárias anteriores.
De acordo com André Eler, diretor-técnico da Bites, ‘O vácuo das grandes lideranças estaduais após a saída dos governadores é reflexo da alta taxa de reeleição há quatro anos. Entre abril e dezembro deste ano, veremos estados sendo comandados por nomes desconhecidos que precisarão aumentar sua visibilidade para garantir a continuidade no poder’. Essa realidade coloca uma pressão adicional sobre os vices, que precisarão se destacar em um ambiente competitivo.
Perfis e Oportunidades nas Redes Sociais
No que diz respeito ao uso das redes sociais, a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), se destaca ao ultrapassar o governador Ibaneis Rocha (MDB) em número de seguidores. Essa ascensão se deve, em parte, à sua atuação durante a crise decorrente dos eventos de 8 de Janeiro, quando o governador estava afastado. Essa dinâmica ressalta a importância da presença digital e como a mesma pode influenciar a percepção pública.
Os governadores que devem deixar seus cargos até abril e que sinalizam candidaturas ao Senado incluem nomes como Eduardo Leite (PSD-RS), Gladson Cameli (PP-AC), entre outros. Além disso, situações excepcionais em estados como o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Norte podem resultar em eleições indiretas, aumentando a complexidade do cenário. Essas situações impõem um desafio adicional para vices que buscam se estabelecer como candidatos fortes.
A Dinâmica entre Vices e Titulares
Além disso, alguns governadores decidiram não deixar o cargo, preferindo não dar palanque aos vices. Essa decisão pode ser motivada por questões pessoais e políticas, como a falta de confiança ou a escolha de apoiar outros candidatos. Exemplos incluem Paulo Dantas (MDB-AL) e Carlos Brandão (PSB-MA), que optaram por se manter na administração, complicando ainda mais a trajetória dos vices.
Fábio Vasconcellos, cientista político e professor da Uerj e PUC-Rio, ressalta que a habilidade do vice em se destacar no ambiente digital pode ser fundamental, mas a aliança com lideranças consolidadas terá um peso decisivo na campanha. ‘Um ‘novo’ governador pode não ter força digital, mas se estiver alinhado com uma candidatura nacional, isso pode fazer toda a diferença’, aponta.
Os Desafios da Legitimidade Política
Murilo Medeiros, cientista político da UnB, destaca que, embora os vices herdem a estrutura da máquina governamental, não recebem automaticamente o capital político de seus predecessores. ‘É um paradoxo: eles se beneficiam do bônus da continuidade, mas governam sem uma identidade própria e dependem do endosso de padrinhos políticos’, explica. Essa dinâmica pode impactar diretamente suas chances nas eleições, uma vez que a transferência de votos e a legitimidade são cruciais para a construção de uma campanha sólida.
