Desafios financeiros marcam o primeiro ano de gestão
No primeiro ano de mandato, prefeitos de diversas cidades de Minas Gerais enfrentam desafios financeiros significativos, fruto de uma herança de dificuldades no caixa das prefeituras. Com restrições orçamentárias severas, áreas essenciais como saúde e infraestrutura competem por recursos limitados, o que impacta diretamente a capacidade de investimento das administrações municipais. Em entrevista ao Estado de Minas, o prefeito de Itapecerica, Gleytinho do Valério (PP), que inicia sua trajetória à frente do Executivo municipal, compartilha suas experiências e a necessidade de se adaptar à dinâmica orçamentária local.
De acordo com Gleytinho, a gestão se viu obrigada a lidar, desde o início, com a escassez de recursos livres, o que complicou a implementação de projetos. Entretanto, ele ressalta a importância da articulação política como uma estratégia crucial para viabilizar novos investimentos. Ao longo de sua gestão, Gleytinho buscou fortalecer o diálogo com representantes estaduais e federais, o que resultou em um aumento nos repasses financeiros para o município.
Na área da saúde, por exemplo, ele informa que Itapecerica recebeu mais de R$ 2,5 milhões para o Fundo Municipal de Saúde, que foram utilizados para cobrir despesas essenciais, como o pagamento de profissionais e a aquisição de insumos e medicamentos. No entanto, Gleytinho observa que a execução de grandes obras ainda está comprometida, pois uma parte considerável da arrecadação, proveniente de tributos como IPVA, IPTU, ICMS e ISSQN, foi direcionada para a quitação de débitos acumulados.
A expectativa do prefeito é que, em 2026, novos recursos já indicados por parlamentares sejam aplicados em obras de pavimentação, iluminação pública, construção de pontes e uma unidade básica de saúde, permitindo um avanço significativo na infraestrutura da cidade.
Reorganização administrativa é prioridade em Juatuba
Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o prefeito de Juatuba, Ted Saliba (PSD), também enfrenta seus próprios desafios. Em seu primeiro mandato, ele considera que o momento é um exercício constante de equilíbrio entre as expectativas da população e as limitações administrativas que encontrou ao assumir o cargo. A nova gestão herdou processos desatualizados, projetos incompletos e documentação irregular, o que exigiu uma reestruturação interna que atrasou a execução de obras programadas.
Saliba destaca que parte dos impedimentos foi relacionada a projetos que dependiam de recursos da Vale, os quais precisaram ser reformulados antes que as licitações fossem abertas. “Tivemos que ajustar todos os projetos com erros documentais, o que custou quase todo o ano para regularizá-los”, revelou. Ele também aponta a burocracia como um dos principais empecilhos enfrentados desde o início do mandato, o que gerou um sentimento de ansiedade. “É frustrante querer fazer as coisas, mas perceber que todo processo leva, no mínimo, quatro ou cinco meses para andar”, comenta.
Apesar das adversidades, Saliba nota que houve progressos importantes nas áreas de saúde e atendimento à população. O município conseguiu reduzir as filas para cirurgias e melhorou a eficiência do pronto atendimento, reduzindo o tempo médio de espera de mais de duas horas para cerca de 20 minutos.
Foco em saúde e infraestrutura em Campo Belo
No Centro-Oeste de Minas, o prefeito Adalberto Lopes (PL) também finalizou seu primeiro ano à frente da prefeitura de Campo Belo. Embora novo no cargo, ele já tinha experiência como vice-prefeito, o que o ajudou a entender melhor os desafios administrativos do município, com cerca de 54 mil habitantes, e a pressão por serviços de saúde oferecidos à população de cidades vizinhas.
Lopes destaca que, desde o início, a gestão se concentrou em reorganizar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), aumentando o número de médicos e atendimentos pediátricos, em parceria com uma empresa pública. “É fundamental estar em sintonia com o governo federal e participar ativamente em Brasília, onde os planejamentos e projetos são discutidos. Isso é essencial para o nosso município”, reforça.
Além das ações voltadas para a saúde, Lopes menciona a conquista de recursos para a construção de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Este projeto foi viabilizado sem custos para o município, devido à sua inclusão em um pacote de investimentos relacionado à privatização da Eletrobras, evitando um gasto estimado de R$ 14,5 milhões. Contudo, o prefeito reconhece que ainda existem desafios pela frente, como a necessidade de implementar uma alça viária em áreas em expansão e reduzir as filas nos atendimentos de saúde.
