Desafios do PSD em Minas Gerais
O PSD, sob a liderança de Gilberto Kassab, está passando por um momento delicado em Minas Gerais, onde, mesmo com três pré-candidatos à Presidência da República, pode não conseguir um palanque adequado. Os governadores Ratinho Jr. (Paraná), Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) são os postulantes da sigla, mas a disputa interna pode complicar a situação. Isso abre espaço para que Rodrigo Pacheco, também filiado ao PSD, busque uma nova filiação ao União Brasil, partido que Caiado integra, e se lance como pré-candidato ao governo do estado.
A situação de um palanque vazio em Minas está diretamente ligada à postura do vice-governador Mateus Simões (PSD), que decidiu manter sua fidelidade ao governador Romeu Zema (Novo), também pré-candidato à Presidência. Ele não apoiará o candidato de sua própria sigla, o que foi reafirmado por fontes ligadas à pré-campanha de Simões ao governo do estado. “Essa decisão é inegociável, é o Zema”, destacou um interlocutor.
Pressões Políticas e Estratégias de Campanha
O apoio a Zema é intensificado pela pressão do PL, o partido de Jair Bolsonaro, para que o vice-governador abdique do apoio ao governador em sua busca pela Presidência. Essa estratégia visa criar uma ponte para que Flávio Bolsonaro obtivesse um palanque em Minas. O apoio do PL à candidatura de Simões ao governo do estado estaria condicionado a essa negociação, conforme apurou a Itatiaia.
Entretanto, a situação não é das mais confortáveis para Simões. Apesar de garantir apoio a Zema, o vice-governador pode acabar se tornando um mero figurante na campanha, perdendo o protagonismo nas eleições de 2026. Isso é uma preocupação expressa por assessores próximos a ele. O desempenho do governador nas pesquisas de opinião também gera inquietação, já que pesquisas recentes mostram um aumento na rejeição ao seu nome.
Desempenho de Zema nas Pesquisas de Opinião
De acordo com um levantamento da Quaest, no final de dezembro, a desaprovação de Zema aumentou consideravelmente. No início de janeiro, 62% dos brasileiros afirmavam não conhecê-lo, enquanto 15% se declararam favoráveis, e 23% disseram que conheciam, mas não votariam nele. O desconhecimento caiu para 51% em dezembro, mas, enquanto isso, sua taxa de rejeição subiu para 35% e o potencial de voto caiu para 14%.
Essa situação é um ponto de preocupação para a pré-campanha de Simões, que ainda mantém uma imagem associada ao governador. Fontes do Novo, partido que abrigou Simões antes de sua filiação ao PSD, afirmam que não há transferência automática de votos de Zema para Simões.
Preocupações com a Estrutura da Campanha
Outro desafio que Simões enfrenta é a estrutura de sua campanha, que ainda é vinculada ao antigo partido. Isso poderia fragilizar sua campanha, tornando-a uma extensão da candidatura presidencial de Zema. “O resultado disso é que a campanha de Simões é vista mais como um suporte à presidência do Zema do que uma candidatura independente ao governo”, disse uma fonte da pré-campanha.
Por outro lado, Christopher Laguna, presidente estadual do Novo em Minas, defende que a situação de Zema no estado é favorável e que a relação entre ele e Simões é harmoniosa. “Acredito que qualquer queda de Zema não causará uma ruptura com Mateus. Estamos trabalhando para garantir que isso não ocorra e para fortalecer o apoio ao Mateus“, afirmou.
Expectativas e Desafios Futuros
Sobre a suposta falta de engajamento com a pré-campanha de Simões, Laguna negou e ressaltou a proximidade histórica do vice-governador com o Novo. Ele acredita que a campanha contará com o engajamento dos membros do partido e que quaisquer rumores sobre descontentamento são apenas especulações. “Mateus é nosso sucessor natural e estamos comprometidos com sua candidatura”, concluiu.
Apesar de todas as dificuldades, a reportagem procurou o presidente do PSD em Minas, deputado Cássio Soares, para comentar a situação de Simões e sua lealdade a Zema, mas não obteve resposta até o fechamento deste artigo. O espaço permanece aberto para novos esclarecimentos.
