Desafios da Atual Legislatura
José Guimarães, vice-presidente do PT e coordenador do grupo de trabalho eleitoral da sigla, não esconde os desafios que o partido enfrenta neste ano. Questionado sobre a relação com o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), após desentendimentos no fim do ano passado, ele afirmou que as feridas estão se curando. Segundo Guimarães, a redução da jornada de trabalho na escala 6×1 é uma das prioridades do governo de Luiz Inácio Lula da Silva para este semestre.
O dirigente do PT ressaltou a importância de mudar a correlação de forças no Congresso, pretendendo eleger pelo menos 90 deputados federais para dificultar a formação de uma maioria pela oposição no Senado. Em tom de desabafo, ele descreveu a realidade do governo no Congresso como “dolorosa” e “dilacerante”, destacando a necessidade de articulação para aprovar projetos.
Expectativas sobre a PEC da Segurança Pública
Guimarães se posicionou sobre a PEC da Segurança Pública, uma das pautas mais controversas. Ele considera difícil o avanço dessa proposta neste ano devido ao ano eleitoral, afirmando que é uma questão muito sensível. “Se não houver mudanças no relatório do deputado Mendonça Filho (União-PE), levar a PEC ao plenário para ser derrotada não faz sentido”, afirmou. Para ele, o tema segurança é frequentemente explorado pela direita com desinformação.
Sobre a possibilidade de a PEC da Segurança Pública avançar, Guimarães não foi otimista. “Acho que subiu no telhado”, disse, referindo-se ao pouco apetite do governo para avançar em uma pauta tão polarizadora. Ele também comentou que, para haver uma reforma na estrutura ministerial, como a criação do Ministério da Segurança Pública, seria necessário primeiro aprovar a PEC.
Estratégias para a Eleição de 2024
Na entrevista, Guimarães destacou que o PT tem como meta reeleger Lula e mudar o panorama da Câmara e do Senado, priorizando os palanques nos Estados. O partido planeja utilizar o fundo eleitoral de maneira estratégica, dando ênfase às candidaturas de senadores, antes de focar nos deputados federais. Ele acredita que é fundamental ter uma chapa forte em São Paulo, destacando o potencial de Haddad e Alckmin para fortalecer a candidatura de Lula.
Apesar de desafios, Guimarães não descartou a possibilidade de alcançar vitórias nas eleições, ressaltando que a polarização atual exige uma nova abordagem. Ele acredita que o PT deve aprender com o passado, usando a experiência para conquistar apoio e propostas. Ao abordar a questão do endividamento público, Guimarães argumentou que países desenvolvidos, como os Estados Unidos, são endividados e ainda assim sustentam economias robustas. Para ele, o Brasil precisa de uma visão que priorize a assistência aos mais pobres.
Possíveis Obstáculos e Oportunidades
Guimarães também comentou sobre a situação em Minas Gerais, onde o PT enfrenta dificuldades em candidaturas ao governo. Ele se mostrou otimista quanto às possibilidades no Nordeste, onde, segundo ele, Lula ainda mantém apoio significativo. O dirigente mencionou uma pesquisa no Ceará que mostrou Lula com vantagem sobre adversários, reafirmando a relevância do Nordeste para a estratégia eleitoral do PT.
Com a iminente polarização das eleições e a força do bolsonarismo sendo questionada, Guimarães vê a possibilidade de mudanças significativas no cenário político brasileiro. “Quem quer ganhar não escolhe adversário”, afirmou, reforçando que o foco do PT deve ser em consolidar suas propostas e garantir uma base sólida de apoio nas eleições que se aproximam.
