Desembarque de Parlamentares e Desafios Locais
Às vésperas do encerramento da janela partidária, o partido Republicanos viu sua representação em Minas Gerais diminuir consideravelmente. Antes do fim do prazo, que se dá nesta sexta-feira (3), a legenda perdeu cinco dos 12 parlamentares que tinham mandato, englobando o Congresso Nacional, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e a Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH). Essa saída representa quase metade do total de representantes. Durante o mesmo período, a sigla filiou apenas um novo deputado com mandato: Bruno Farias, que veio do Avante.
Essa situação em Minas é notavelmente diferente do desempenho do Republicanos em nível nacional. Até agora, na Câmara dos Deputados, a legenda perdeu 12 parlamentares, mas conseguiu filiar 11, o que garante um saldo relativamente estável, um dos melhores se comparado a outras siglas.
Motivações das Migrações: Além do Ideológico
Nos bastidores, fontes próximas ao partido comentam, sob condição de anonimato, que a debandada em Minas não se deve a questões ideológicas, uma vez que os parlamentares se dirigiram a outras legendas de direita. Também não parece estar relacionada a fatores financeiros, apesar de a maioria optar por partidos que possuem maiores fundos partidários e eleitorais, como o PL e o PSD. A interpretação dominante é que os fatores que influenciaram a saída são locais, o que explica a disparidade em relação à situação nacional da sigla.
Desafios na Composição da Chapa Proporcional
Uma das razões relevantes para essa configuração é a formação da chapa proporcional em Minas. A avaliação é de que o presidente estadual, Euclydes Pettersen, não conseguiu construir uma nominata suficientemente competitiva, o que diminui as chances de êxito nas eleições. “As chapas são fracas e furadas. Eleição é uma questão matemática”, afirmou um interlocutor.
Numa eleição proporcional, simplesmente ter candidatos com muitos votos não é o bastante; é indispensável incluir também aqueles que, mesmo com menor votação, ajudam a elevar o total de votos da legenda. Esse total é o que determina quantas cadeiras o partido consegue obter, ocupadas pelos candidatos mais votados — frequentemente aqueles que já detêm mandato. A falta desse suporte de candidatos pode resultar em menos cadeiras conquistadas, aumentando o risco de nomes bem votados ficarem fora.
A Influência de Investigações em Curso
De acordo com essa mesma análise, a “chapa fraca” está ligada à atuação de Pettersen, que estaria focado em sua defesa em meio a investigações ligadas à chamada “farra do INSS”. Desde o ano passado, ele é mencionado em um processo que investiga fraudes em aposentadorias, e seu indiciamento foi solicitado no relatório final da CPMI do INSS, apresentado na última sexta-feira (27).
Há também a preocupação de que esse caso possa afetar negativamente os candidatos do partido em Minas. “Até aqueles que se identificam com a sigla precisaram sair. Estão receosos de não serem eleitos”, comentou uma fonte próxima.
Eduardo Cunha e a Incerteza na Chapa Estadual
Outro fator que pesa na análise interna é a possível candidatura do ex-deputado Eduardo Cunha à Câmara Federal pelo Republicanos em Minas. Já filiado à sigla antes do período de janela, Cunha buscou alternativas em outras legendas, mas encontrou resistência. A perspectiva de permanecer na legenda e concorrer gera insegurança entre os correligionários, especialmente devido ao histórico de corrupção que ele carrega, o que pode ser visto como um desgaste adicional. “Todos esses fatores podem ter influenciado a formação da chapa e a vinda de novos candidatos”, analisou um interlocutor.
Perspectivas Futuras e Indefinições
Por fim, a indefinição sobre uma potencial candidatura do senador Cleitinho, também do Republicanos, ao governo de Minas é mencionada como um ponto que pode influenciar o cenário. Uma candidatura majoritária poderia dar um impulso à chapa proporcional, aumentando a visibilidade do partido e a quantidade de votos recebidos. Luís Eduardo Falcão, que recentemente se filiou ao Republicanos e renunciou à prefeitura de Patos de Minas, é apontado como potencial candidato a vice de Cleitinho ou a deputado federal.
Ainda que existam oportunidades, a impressão geral é de que o Republicanos vive um momento de incertezas em Minas. Após o dia 3 de abril, os políticos estarão restritos a disputar eleições apenas pela legenda à qual estiverem vinculados até essa data. “É uma sigla forte na direita mais moderada, nacionalmente, mas em Minas, prevalece um cenário de insegurança”, concluiu um interlocutor.
Movimentações Recentes dos Parlamentares
Os últimos movimentos dos deputados mineiros ocorreram na noite de quinta-feira (2). O deputado federal Samuel Viana, filho do senador Carlos Viana (PSD), deixou o Republicanos e se afiliou ao União Brasil, onde tentará a reeleição. O vereador de Belo Horizonte, Osvaldo Lopes, também se desfilou para o Podemos, se tornando pré-candidato a deputado federal. Um dia antes, outro vereador da capital, Irlan Melo, desfilou para o PL, onde deseja disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Ambos conseguiram autorização para deixar a legenda antes do término do prazo. Vale lembrar que vereadores não estão em período de janela partidária neste ano, já que não estão no fim de mandato, e dependem de uma autorização formal para se desfiliar. Irlan conseguiu essa liberação através da direção nacional do partido.
Além destes, o deputado federal Lafayette de Andrada também seguiu para o PL, enquanto, na ALMG, o deputado estadual Enes Cândido se filiou ao PSD.
