Governadores Focam na Estabilidade Política
Em uma decisão surpreendente, ao menos oito governadores que se aproximam do fim de seus mandatos optaram por não concorrer a novos cargos nas eleições de outubro. A escolha de permanecer nos postos executivos até o encerramento do mandato visa facilitar a transição de governo e fortalecer alianças para a futura sucessão. Este movimento abrange líderes que abandonaram ambições nacionais, romperam com seus vices ou estão enfrentando instabilidade política em seus estados.
O prazo para renúncia, estipulado pela legislação eleitoral, se encerrará no sábado, dia 4. Até essa data, dez governadores formalizarão sua saída para concorrer a outros cargos, enquanto nove irão permanecer em suas funções buscando a reeleição. O número de chefes de estado que decidiram não participar do pleito atinge um recorde em comparação aos ciclos eleitorais anteriores: em 2022, cinco governadores ficaram fora; em 2018, apenas quatro tomaram essa decisão.
Estratégias e Acordos Entre os Governadores
Entre os governadores que optarão por continuar no cargo estão Ratinho Junior (PSD-PR) e Eduardo Leite (PSD-RS). Ambos consideraram a possibilidade de se candidatar à Presidência, mas, por razões diversas, decidiram não participar. Ratinho Junior tomou essa decisão por vontade própria. Já Leite, que foi preterido por seu partido, decidiu não buscar uma vaga no Senado e, em vez disso, optou por apoiar Gabriel Souza (MDB), seu vice, na disputa pelo governo estadual.
Em cinco estados, governadores escolheram não renunciar para evitar entregar o comando a vices considerados adversários. Por exemplo, em Alagoas, Paulo Dantas (MDB) permanece no cargo e articula o retorno do ex-governador Renan Filho (MDB). No Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT) rompeu relações com o vice Walter Alves (MDB), que deseja uma vaga na Assembleia Legislativa. Caso ambos renunciassem, seria necessária uma eleição indireta para preencher o chamado mandato-tampão.
Fátima Bezerra era um nome forte do PT para o Senado, mas adiou essa candidatura para garantir apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tentar eleger Cadu Xavier (PT), atual secretário da Fazenda, como seu sucessor. No Maranhão, Carlos Brandão (sem partido) e o vice Felipe Camarão (PT) se encontram em uma disputa judicial e política, enfrentando pedidos de afastamento. Brandão apoia Orleans Brandão (MDB), enquanto Camarão considera lançar sua própria candidatura ou apoiar Eduardo Braide (PSD), atual prefeito de São Luís.
Renúncias e Desafios Jurídicos
Wilson Lima (União Brasil-AM), Marcos Rocha (PSD-RO) e Wanderlei Barbosa (Republicanos-TO) são outros governadores que decidiram permanecer em seus cargos, todos enfrentando desavenças com seus vices. Entre aqueles que renunciaram, Romeu Zema (Novo-MG) foi o primeiro a entregar sua posição a Mateus Simões (PSD), seu vice e pré-candidato à reeleição. O governador de Minas Gerais busca viabilizar uma candidatura presidencial, embora também seja considerado para formar chapa como vice.
Ronaldo Caiado (PSD-GO) oficializou sua renúncia no dia 31 de março, passando o comando do governo para Daniel Vilela (MDB). Confirmado como candidato à Presidência pelo PSD, Caiado tem se dirigido a um eleitorado conservador e busca disputar espaço com Flávio Bolsonaro (PL). Outros oito governadores estão tentando vagas no Senado, uma rota tradicional para aqueles que estão encerrando seus mandatos executivos.
Entre esses candidatos ao Senado, destacam-se Helder Barbalho (MDB-PA) e João Azevêdo (PSB-PB), aliados de Lula, além de Mauro Mendes (União Brasil-MT) e Gladson Cameli (PP-AC), que parecem se alinhar a Flávio Bolsonaro (PL). No Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) deixou o governo em 23 de março para concorrer ao Senado, mas enfrenta uma condenação do Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder econômico e político, que resultou na sua inelegibilidade.
Cenário Eleitoral e Disputas pela Reeleição
Entre os nove governadores que buscam a reeleição em outubro, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) se destaca, já que foi cotado para a Presidência, mas agora apoia Flávio Bolsonaro e enfrentará novamente Fernando Haddad (PT) na corrida. No PT, três governadores tentam renovar seus mandatos. Rafael Fonteles (PT-PI) desponta como favorito, enquanto Jerônimo Rodrigues (PT-BA) e Elmano de Freitas (PT-CE) estão em uma disputa acirrada.
No estado da Bahia, Jerônimo Rodrigues deverá se reencontrar com o adversário ACM Neto (União Brasil). Já no Ceará, uma pesquisa do Datafolha aponta Ciro Gomes (PSDB) à frente com 47% das intenções de voto, seguido por Elmano, que tem 32%. Este último ainda pode ser substituído por Camilo Santana (PT), ex-ministro da Educação, que deixou o cargo para garantir aptidão em uma disputa ao governo estadual caso necessário.
