A Ascensão dos Detetives de IA no LinkedIn
A utilização de inteligência artificial na criação de currículos e postagens no LinkedIn tem gerado polêmica e questionamentos sobre a autenticidade do conteúdo. Em meio a essa discussão, uma nova geração de usuários, que se autodenominam “detetives”, começou a investigar padrões típicos de textos criados por máquinas na plataforma. O fenômeno destaca a necessidade de manter a integridade e a credibilidade em um espaço essencialmente profissional.
Stent, uma profissional de marketing de 25 anos na Cidade do Cabo, lançou um projeto informal após perceber que as publicações em seu feed estavam cada vez mais semelhantes, com metáforas clichês e uma falta de voz própria. Em agosto, Stent compartilhou suas observações em um post que rapidamente se tornou viral, chamando atenção para sinais que indicam o uso de IA. Os comentários foram variados: enquanto muitos concordaram, outros defenderam o uso da tecnologia. “Meu LinkedIn enlouqueceu”, comentou, refletindo a polarização do tema.
O Impacto das Ferramentas de IA nas Conexões Profissionais
A utilização de inteligência artificial está associada a demissões em massa, gerando um clima de incerteza. Stent integra um grupo crescente de cidadãos preocupados com a proliferação de conteúdos que acreditam serem gerados por IA. Para muitos, o uso de travessões é um indicativo infalível de que um texto foi escrito pelo ChatGPT, junto a outros sinais como a repetição de ideias ou o uso excessivo de vírgulas. Esses detetives digitais estão atentos a qualquer indício que sugira que o conteúdo não é autêntico.
De acordo com uma análise realizada pelo Washington Post, cerca de 70% das mensagens escritas por IA continham emojis, e mais da metade apresentava travessões. Sam Altman, fundador da OpenAI, reconheceu o problema e anunciou melhorias. No entanto, essas características não são exclusivas de textos gerados por IA, uma vez que muitos autores humanos podem acabar imitando esse estilo sem perceber. Mesmo assim, isso não desanima os detetives digitais, que continuam sua busca por autenticidade.
Profissionais em Busca de Credibilidade
Brielle Reisman, uma profissional de marketing de 29 anos em Houston, utiliza seu perfil no LinkedIn para alertar sobre textos que aparentam ser gerados por IA. Embora nunca tenha confrontado diretamente alguém, ela acredita que seus alertas servem como um lembrete gentil sobre a percepção dos outros em relação ao conteúdo publicado. “Eu odeio ver alguém perder credibilidade apenas por ter optado por uma produção rápida com um modelo de linguagem”, explica Reisman.
Por outro lado, Thomas Manandhar-Richardson, um diretor de pesquisa de 32 anos, adota uma abordagem mais agressiva e já questionou autores diretamente sobre a natureza de seus textos. Embora frequentemente ignorado, ele mencionou que outros usuários já lhe enviaram mensagens privadas, concordando com suas observações. Para Manandhar-Richardson, a preocupação reside no fato de que, se o LinkedIn se saturar de conteúdo gerado por IA, isso pode comprometer o valor da plataforma como fonte de ideias e insights autênticos.
A Relevância da Autenticidade no LinkedIn
O LinkedIn é um espaço que celebra conquistas e esforço, e o desejo por insights genuínos é um reflexo da esperança de seus usuários. Ver postagens que aparentam ser fabricadas por máquinas pode ser desanimador para muitos. Gyanda Sachdeva, vice-presidente de produto do LinkedIn, ressaltou que, apesar da utilidade da IA para revisar conteúdos, os posts mais envolventes são aqueles que oferecem perspectivas únicas e autênticas de profissionais reais. Ela também destacou as medidas que a plataforma implementou para detectar e reduzir a distribuição de conteúdos de baixa qualidade.
Um Jogo de Estratégias Entre Humanos e Máquinas
No entanto, a situação é complexa. Embora o LinkedIn ofereça ferramentas de IA para auxiliar na criação de conteúdos, a empresa recomenda que os usuários editem o material antes da publicação. A facilidade de copiar e colar textos gerados por IA levanta questões sobre a sinceridade nas interações. Manandhar-Richardson antecipa um embate contínuo, onde os humanos tentarão se distanciar dos padrões da IA, enquanto a própria tecnologia evolui para imitar esses novos estilos.
Apesar das críticas, muitos usuários acabam por preferir textos gerados por IA, conforme um estudo preliminar sugeriu que estudantes de pós-graduação preferiram passagens de IA a textos de autores premiados. Isso evidencia uma insegurança crescente em relação à capacidade de distinguir entre conteúdos criados por humanos e máquinas. No meio dessa confusão, Bryan M. Vance, um jornalista de 34 anos, relatou sua experiência frustrante quando foi acusado de usar IA após passar horas elaborando seu texto. Ele reconhece que, em tempos de mudanças tecnológicas, a desconfiança se intensifica, levando a um policiamento excessivo sobre o que é autêntico.
