A Fragmentação da Direita Mineira
A seis meses das eleições, a disputa pelo Governo de Minas Gerais enfrenta uma direita em intensa fragmentação, com pelo menos três potenciais candidatos ao Palácio Tiradentes. A perspectiva de união entre esses postulantes, que já era considerada remota, ficou ainda mais distante após as novas filiações formalizadas nesta semana. A janela eleitoral para troca de partidos acaba nesta sexta-feira (3).
Atualmente, o vice-governador Mateus Simões (PSD) se destaca como o nome mais forte para as eleições de 4 de outubro, tendo assumido a gestão estadual após a renúncia de Romeu Zema (Novo). A situação se complica ainda mais com a presença de outros nomes, como o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera as pesquisas de intenção de voto. Ele já declarou que tem até o início de agosto, quando se encerram as convenções partidárias, para decidir sua candidatura.
Novas Filiações e Estratégias Eleitorais
Outro nome que ganhou destaque nos últimos dias foi Flávio Roscoe, ex-presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), que se filiou ao PL. Dentro do partido, sua possível candidatura é vista como uma estratégia para assegurar suporte a Flávio Bolsonaro (PL) em Minas, caso a sigla não consiga formar alianças com outras chapas. Como revelado pela Folha, Roscoe já havia sido mencionado em anotações do pré-candidato à Presidência durante uma reunião em fevereiro.
A movimentação do PL acontece em meio à indefinição sobre o futuro de Cleitinho e ao compromisso de Simões em apoiar Zema na corrida presidencial. Em uma declaração feita na quarta-feira (1º), Roscoe anunciou sua saída da presidência da Fiemg, um dia após se filiar ao PL, mas não confirmou sua candidatura, negando ter estabelecido um prazo com o partido para que sua pré-candidatura avance.
“O diálogo não foi esse. Eu me filiei e coloquei o nome à disposição. Eles entendem que eu seria um ótimo nome para liderar a chapa de governo ou fazer uma composição”, afirmou Roscoe.
Reações e Alianças em Jogo
A movimentação do PL foi interpretada por Simões como uma resistência a formar alianças. Em resposta, o vice-governador articulou a filiação do senador Carlos Viana ao PSD. Viana, que presidiu a CPI do INSS e deixou o Podemos, deve tentar a reeleição ao Senado na chapa de Simões, ocupando uma vaga que vinha sendo discutida com o PL.
Gilberto Kassab, presidente do PSD, também tentou desassociar a candidatura de Simões do PL, apesar das indicações de apoio que vieram do governador para o partido. “Nosso objetivo é eleger Mateus Simões. Não queremos caminhar nem com o bolsonarismo nem com o petismo. Desejamos uma alternativa para Minas e para o Brasil”, afirmou Kassab.
Entretanto, a entrada de Viana causou desconforto entre os envolvidos na candidatura de Simões. Marcelo Aro (PP), que foi secretário nos governos Zema e Simões e também se posiciona como pré-candidato ao Senado na chapa, criticou essa aliança. Aro almeja ir para a disputa em outubro ao lado do deputado federal Domingos Sávio, que é o principal nome do PL para o Senado em Minas.
Viana, por sua vez, minimizou as tensões e reiterou seu desejo de buscar a reeleição. “Não é hora de buscarmos divisões dentro de um grupo que pretende vencer esta eleição”, declarou.
Movimentos na Esquerda
Enquanto a direita se vê cercada de incertezas, a esquerda observa com interesse o fortalecimento da candidatura do senador Rodrigo Pacheco ao Governo de Minas. Pacheco se filiou ao PSB na quarta-feira, mas ainda não confirmou sua participação na disputa. De acordo com aliados, o senador não tem pressa e pretende primeiro mapear os apoios de outros partidos no estado. Atualmente, o PSB não é considerado um partido forte em Minas, contando com 22 prefeitos, dois deputados estaduais e nenhum federal.
