Recomendações Práticas para o Manejo da Constipação Crônica
A British Dietetic Association (BDA) recentemente divulgou um guia inovador que recomenda o uso de kiwi, psyllium e pão de centeio no combate à constipação crônica. Esta iniciativa é resultado de uma análise abrangente que envolveu 75 ensaios clínicos randomizados, publicada em uma revista científica respeitada. A proposta central é substituir orientações gerais, como “aumente o consumo de fibras”, por dicas específicas sobre alimentos e suplementos que realmente demostraram eficácia em estudos.
Os especialistas da BDA cruzaram dados de quatro revisões sistemáticas com meta-análises, culminando em 59 recomendações dietéticas práticas. O foco foi informar a população sobre os tipos de fibras e hábitos alimentares que realmente trazem benefícios para a saúde intestinal. Assim, o guia deixa claro que não é qualquer fibra ou fruta que proporcionará o mesmo efeito positivo no intestino.
Destaque para o Psyllium
Dentro das diretrizes, o psyllium se destaca como um dos principais suplementos de fibra recomendados. Extraído da casca da semente da planta Plantago ovata, o psyllium foi apontado como o mais eficaz entre os suplementos analisados, mostrando resultados consistentes na melhoria da frequência intestinal e da consistência das fezes. Os pesquisadores asseguram que os benefícios foram observados em doses similares àquelas testadas nos ensaios clínicos, recomendando o uso regular para efeitos otimizados.
Embora outras fibras, como a inulina, tenham mostrado alguns benefícios, os autores alertam sobre o aumento do risco de efeitos colaterais, como gases e desconforto abdominal, que podem ser desencadeados pelo seu consumo.
Alimentos e Bebidas que Ajudam na Regularidade Intestinal
O kiwi foi outro alimento que se destacou nas novas diretrizes. A recomendação é de que o consumo regular do fruto, em torno de duas unidades por dia durante pelo menos quatro semanas, está associado a melhorias significativas na frequência e na textura das fezes. Os resultados observados são comparáveis aos proporcionados pelo uso de psyllium em alguns estudos, indicando a eficácia do kiwi na saúde intestinal.
O pão de centeio, por sua vez, também trouxe resultados promissores. Ele é rico em fibras solúveis e fermentáveis, as quais aumentam o volume das fezes e estimulam o trânsito intestinal. No entanto, os estudos realizados focaram em quantidades elevadas, que podem não ser práticas para o cotidiano da maioria das pessoas.
A Importância da Hidratação Apropriada
Além dos alimentos, as diretrizes ressaltam a importância de determinadas bebidas. O consumo de águas minerais com alto teor de magnésio e sulfato se destaca, pois, devido ao seu efeito osmótico, ajudam a puxar água para o intestino, facilitando o processo de evacuação.
Entretanto, frutas que costumam ser associadas à promoção do “intestino solto”, como a ameixa e a maçã, foram mencionadas com cautela. Embora sejam saudáveis e ricas em fibras, os especialistas enfatizam que não existem evidências científicas robustas que comprovem que o seu consumo isolado seja eficaz no tratamento da constipação crônica.
Considerações Finais sobre a Diretriz
As diretrizes foram construídas a partir de um rigoroso processo de validação, utilizando o método GRADE e aprovação por consenso Delphi entre um grupo diverso de especialistas. Apenas intervenções que contaram com, pelo menos, dois ensaios clínicos foram consideradas, o que garante uma base sólida para as recomendações.
No entanto, os autores alertam que a maior parte das recomendações apresentadas foi classificada como de baixo ou muito baixo nível de evidência. Isso reflete uma lacuna na quantidade de estudos amplos e homogêneos na área, o que os impede de recomendar dietas completas, focando apenas em alimentos, suplementos e bebidas específicos para o manejo da constipação crônica.
