Palavras que Definem os Discurso dos Deputados na ALMG
Em 2026, os deputados estaduais de Minas Gerais entram na fase final de seus mandatos na Assembleia Legislativa (ALMG). A polarização entre o lulopetismo e o bolsonarismo, evidenciada pelas últimas eleições e pesquisas de intenção de voto para outubro deste ano, parece guiar os rumos políticos do país. Frente a esse cenário, os deputados do PL de Minas tentam mobilizar o eleitorado, optando por nacionalizar a pauta da ALMG, apesar da obrigação de priorizar os interesses estaduais.
Uma análise detalhada dos discursos de 77 deputados estaduais durante 2025 revela tendências significativas. Os parlamentares do PL, que integram um bloco independente na Assembleia, têm utilizado a tribuna como uma plataforma para discutir temas que se distanciam das realidades mineiras. O estudo, realizado pelo Núcleo de Dados do Estado de Minas, revelou que os termos mais frequentemente mencionados refletem essa lógica.
Entre as cinco palavras mais proferidas pelos deputados do PL estão “governo” (435 ocorrências), seguido por “Bolsonaro” (407) e “Brasil” (397). Essa predominância de palavras ligadas ao âmbito nacional levanta questionamentos sobre a relevância e a eficiência das discussões no contexto mineiro.
De acordo com Paulo Ramirez, cientista político e professor da ESPM, essa abordagem é uma estratégia típica do bolsonarismo, que visa expandir seu alcance por meio das mídias sociais. Para ele, a nacionalização de pautas que deveriam ser locais é uma herança da era bolsonarista. “Para manter seu eleitorado fiel, a ideia é nacionalizar os temas, especialmente quando as políticas locais não sustentaram a eleição desses políticos”, explica Ramirez.
Bruno Engler, líder da bancada do PL, admite a existência dessa nacionalização, mas nega qualquer orientação explícita do partido nesse sentido. “Não há diretrizes para que tratemos de assuntos nacionais, mas é importante que todos os agentes públicos denunciem as barbaridades que ocorrem em nosso país, incluindo as violações de direitos promovidas por figuras como Alexandre de Moraes”, defende.
A Oposição e seu Discurso Nacionalizado
Por outro lado, o bloco oposicionista da Assembleia, que reúne 20 parlamentares, também busca tratar de questões nacionais, embora em menor proporção em comparação ao PL. Formado por deputados do PT, PV, Rede, PCdoB e PSOL, o grupo, denominado “Democracia e Luta”, utiliza expressões que se conectam diretamente com a população. Entre as dez palavras mais mencionadas na tribuna estão “gente” (2.265 vezes), “fazer” (1.174) e “povo” (1.162).
Além disso, em sua maioria crítica ao governador Zema, palavras como “Zema” (927) e “Copasa” (871) despontam entre as mais citadas. Outras temáticas relacionadas a políticas públicas, como “mulheres” (653), “luta” (717) e “água” (694), também aparecem com frequência, especialmente devido à tramitação do projeto de privatização da Copasa.
Adriano Cerqueira, cientista político e professor do Ibmec em Belo Horizonte, aponta que a oposição busca atrair parte do eleitorado mineiro destacando a privatização da Copasa, um assunto que polêmica entre eleitores. “A oposição critica a atuação de empresas privadas em áreas consideradas públicas, o que efetivamente polariza a discussão”, ressalta.
Cristiano Silveira, deputado petista e líder da minoria, acredita que os dados apresentados corroboram com os objetivos da bancada de oposição. “Nossos discursos refletem as preocupações mais relevantes para nosso estado, bem como as questões polêmicas, como a privatização”, afirma.
Discurso dos Blocos Governistas na ALMG
Atualmente, somadas, a oposição e o PL totalizam 31 dos 77 deputados da Assembleia, embora não sejam a maioria. Contudo, são esses parlamentares que ocupam a maior parte do tempo na tribuna. Ao analisar os discursos dos blocos aliados ao governador Romeu Zema, Minas em Frente e Avança Minas, nota-se uma temática insossa, com discursos que não apresentam posicionamentos firmes.
O bloco Minas em Frente, o maior da Assembleia, utiliza palavras genéricas. Entre as dez mais citadas estão “Casa” (199 vezes), “quero” (172), “pessoas” (149) e “trabalho” (124). Contudo, algumas expressões, como “câncer” (132), “prevenção” (109) e “vida” (101), merecem destaque. Cássio Soares, líder do grupo, destaca que essas palavras refletem a atuação dos deputados em prol da saúde pública e da conscientização sobre a violência contra as mulheres.
O Avança Minas, por sua vez, segue uma linha semelhante, distanciando-se de pautas relevantes para o eleitorado. Entre os termos mais usados estão “casa” (399), “gente” (213), “trabalho” (189) e “projeto” (158).
