Tensão nas Negociações Eleitorais em Minas Gerais
A sucessão ao governo de Minas Gerais já gera tensões entre os aliados do governador Romeu Zema (Novo). O vice-governador Mateus Simões (PSD), escolhido como líder do projeto político para a eleição de outubro, enfrenta sérios desafios na formação de sua chapa majoritária. As articulações do senador Rodrigo Pacheco (PSD) e a movimentação do PL no estado complicam ainda mais o cenário, conforme revelado pelo jornal O Globo.
As negociações atuais envolvem a possível mudança de Pacheco para outro partido, bem como as definições de alianças nacionais que podem impactar a estratégia do PL, que busca fortalecer a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputada corrida presidencial.
Pacheco Reconfigura Alianças Políticas
Com a filiação de Simões ao PSD, a permanência de Rodrigo Pacheco nesse partido se torna inviável. O senador, então, começa a se movimentar em direção ao União Brasil, atuando nos bastidores para isolar a federação entre União e PP do projeto de Simões.
Como parte dessa nova estratégia, Pacheco conseguiu emplacar o deputado federal Rodrigo Castro (União-MG) como presidente do diretório estadual do partido. Essa mudança, oficializada na última terça-feira, substitui o deputado Delegado Marcelo Freitas (União-MG), um aliado de Zema, que defendia o apoio ao vice-governador.
Simões, por sua vez, alega ter garantias das lideranças nacionais do União Brasil e do PP de que a federação estará ao seu lado durante a eleição. Ele afirmou: “Eu tenho a garantia pessoal dos presidentes Antonio Rueda, do União Brasil, e Ciro Nogueira, do PP, de que a federação estará conosco na eleição, com Marcelo Aro como candidato ao Senado. Não tenho motivos para duvidar do compromisso assumido por eles”. O vice-governador se esforça para manter Aro como pré-candidato ao Senado pelo PP.
A Influência do Cenário Nacional nas Decisões Locais
Rodrigo Pacheco é, atualmente, considerado a escolha favorita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a disputa pela governadoria de Minas. Recentemente, os dois discutiram as possibilidades, e o senador apresentou algumas alternativas, mas foi informado de que seria o único nome viável para representar a aliança política com o Planalto em Minas.
Reconhecendo sua responsabilidade com o estado e com a democracia, Pacheco indicou que tomará uma decisão no momento certo, após resolver sua situação partidária. Além do União Brasil, ele também está considerando uma eventual filiação ao MDB. Sua decisão final dependerá do posicionamento nacional dessas siglas, especialmente em relação às negociações para a vice-presidência na chapa presidencial. O MDB, que recebeu uma proposta para indicar o candidato a vice de Lula, enfrenta resistência interna, já que 16 dos 27 diretórios estaduais são contrários a essa aliança.
Enquanto isso, a federação União Progressista busca se aproximar do Planalto, que tenta manter o grupo em uma posição neutra na disputa presidencial. A escolha de Pacheco deverá levar em consideração esse alinhamento nacional.
Movimentações do PL e Candidaturas Alternativas
No campo da direita, o PL também está se movendo no cenário político. Apesar de ter um espaço reservado na composição de Simões para uma das vagas ao Senado, a legenda está se organizando para apresentar uma candidatura própria ao governo de Minas.
Essa iniciativa é impulsionada por Flávio Bolsonaro, que deseja consolidar palanques em todos os estados. Articulações estão em andamento para lançar o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) como candidato ao Executivo estadual. Contudo, Ferreira já sinalizou que prefere focar na reeleição para a Câmara e tem se defendido contra críticas de apoiadores que o acusam de não se engajar na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Em um post na plataforma X, ele declarou: “Nos últimos 10 dias, em todas as entrevistas, deixei claro que Flávio é o candidato escolhido pelo presidente Bolsonaro e terá o meu apoio. Estarei na campanha, mesmo sem participar da coordenação ou planejamento do processo”. Ele também pediu que perfis de direita que o criticam sejam desautorizados publicamente pelo senador.
Outra alternativa no campo conservador é o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que apresenta um desempenho superior ao de Simões nas pesquisas. No entanto, ele carrega desconfiança desde o ano passado, quando afirmou que sua dívida com Bolsonaro “estava paga” após o apoio em 2022. Ao ser indagado sobre apoiar um nome indicado pelo ex-presidente, Cleitinho afirmou que deve lealdade a Bolsonaro, mas não à sua família ou a seus apoiadores. Após receber críticas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o senador pediu desculpas.
Com a indefinição nas alianças, disputas internas acirradas e articulações em andamento, a sucessão em Minas Gerais promete trazer novos desafios à medida que os partidos definem suas estratégias para 2026.
