Comparação entre Gestões: Lula e Zema
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol), expressou sua opinião sobre a disputa pelo governo de Minas Gerais, que, segundo ele, será decidida pela comparação entre a administração de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no âmbito nacional e a de Romeu Zema (Novo) à frente do estado. Em suas declarações, Boulos afirmou: “Confio na sabedoria do povo mineiro para comparar o que o presidente Lula tem feito e o que o governador Romeu Zema tem feito, que, além de comer banana com casca, eu não vi nada de relevante.” Essa análise foi feita durante o programa “Bom Dia, Ministro”, no qual o ministro respondeu a uma pergunta do portal O Fator sobre a escolha do candidato que representará Lula em Minas Gerais.
Boulos ressaltou que a entrega de pautas trabalhistas é crucial para preencher o vazio político no estado e para construir uma candidatura forte para as eleições de 2026. Ele observou, contudo, que o objetivo das agendas não é apenas atrair votos: “O compromisso do Lula com os trabalhadores não é um compromisso de pauta eleitoral. O projeto do fim da escala 6×1 está maduro para aprovar agora”, disse.
Impacto das Pautas no Cenário Mineiro
Minas Gerais, que possui mais de 60% de sua economia baseada em serviços e comércio, é um estado que abriga a maioria dos milhões de profissionais afetados por as mudanças propostas. A importância de Minas no panorama político nacional é evidente; como se costuma dizer, “quem ganha em Minas, ganha no país”. Em 2022, por exemplo, Lula obteve vitória no estado, superando Jair Bolsonaro com uma margem de apenas 0,4%, refletindo as nuances do cenário nacional e reafirmando o peso de Minas como decisivo nas eleições.
Boulos minimizou a falta de um candidato consolidado para a corrida pelo governo mineiro e também as pesquisas que indicam um crescimento da oposição. “O jogo ainda não começou. Treino é treino, jogo é jogo. Nós ainda estamos no treino”, comentou. O ministro destacou que a construção do palanque de Lula em Minas está sendo realizada através de um diálogo direto entre o presidente e o senador Rodrigo Pacheco (PSD), um potencial pré-candidato ao Palácio Tiradentes. Boulos também acredita que a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), poderá ser uma chave importante para consolidar votos.
Prioridades do Governo Federal
Entre as prioridades do governo federal, o fim da escala 6×1 se destaca. Essa proposta visa mudar as jornadas de trabalho para garantir dois dias consecutivos de folga, sem redução salarial. Segundo Boulos, a rotina atual contribui para o desgaste extremo dos trabalhadores, resultando em um aumento de 400% nos afastamentos por problemas de saúde mental. Além disso, o governo está trabalhando para regularizar os trabalhadores que atuam por meio de aplicativos, com a votação do marco legal prevista para abril. A proposta pretende beneficiar cerca de 2,2 milhões de motoristas e entregadores com uma remuneração mínima de R$ 10,00 mais R$ 2,50 por quilômetro rodado, além de garantir acesso à Previdência Social.
Expectativa para a Votação no Congresso
Dados recentes do Datafolha, divulgados em 15 de março, revelam que 71% dos brasileiros apoiam a mudança proposta. Contudo, o ministro acredita que a oposição poderá evitar a votação do projeto antes das eleições, dada a relevância do tema. Para garantir agilidade no processo, Boulos alertou que, caso o Congresso não avance para aprovar o fim da escala 6×1 até o final de março, Lula enviará um projeto de lei com regime de urgência, o que exige que a votação ocorra em até 45 dias.
Reação à Crescente Popularidade de Flávio Bolsonaro
A respeito do aumento nas pesquisas de Flávio Bolsonaro (PL), Boulos rejeitou a interpretação de que o senador estaria próximo de Lula em um possível cenário de disputa nacional. O ministro argumentou que a ascensão da direita não deve ser interpretada como uma tendência definitiva antes do início real das campanhas eleitorais. “A ideia de que Flávio Bolsonaro se aproximou de Lula é ilusória. Vamos esperar o início da campanha. Ele tenta se apresentar como moderado, mas essa imagem é enganosa e não irá se sustentar durante o debate”, enfatizou Boulos. Ele também criticou diretamente o histórico de Flávio Bolsonaro, insinuando que sua imagem não resistirá ao crivo das eleições.
