Uma Nova Perspectiva sobre Dona Beja
Ambientada na Minas Gerais do século 19, a nova versão de “Dona Beja” estreia na HBO Max, marcando um importante momento na teledramaturgia brasileira. Os cinco primeiros capítulos da série chegaram à plataforma no dia 2 de fevereiro, dando início a uma narrativa que promete não apenas recontar a trajetória de uma das figuras mais icônicas de Araxá, mas também refletir sobre as hipocrisias da sociedade atual. Este projeto é a segunda novela original da HBO Max, sucedendo o sucesso de “Beleza Fatal”, que conquistou o público nas redes sociais.
Com um total de 40 capítulos e disponível em mais de 100 países, a nova “Dona Beja” não é uma simples reprise, mas sim uma adaptação atualizada que utiliza elementos do passado para questionar realidades do presente. A primeira versão da novela foi ao ar em 1986, na TV Manchete, e foi baseada no romance “A vida em flor de Dona Beja”, do escritor mineiro Agripa Vasconcelos, que viveu entre 1896 e 1969.
Liberdade e Empoderamento
O autor Daniel Berlinsky destaca que a nova produção é uma releitura, e não um remake. “O intuito é modernizar a personagem, expandindo sua liberdade e impacto na sociedade contemporânea”, afirma. A trama, que tem um caráter provocador, instiga o público a refletir e ir além de narrativas convencionais, rompendo com a ideia de uma história estagnada.
Se a versão original, escrita por Wilson Aguiar Filho, se concentrava em aspectos sensuais e escandalosos da vida de Dona Beja, a nova interpretação enfoca seu empoderamento político e social. A atual Dona Beja não se limita a provocar; ela almeja construir um legado e desafiar uma sociedade que a marginalizou.
Inicialmente interpretada por Maitê Proença, a protagonista agora é vivida por Grazi Massafera, que assume o papel de Ana Jacinta de São José. A personagem, após passar por experiências de desonra, decide abrir a Chácara do Jatobá e assumir o controle de sua vida amorosa, transformando-se na lendária Dona Beja. Grazi revelou que chegou a pedir a bênção de Maitê Proença, com quem desenvolveu uma amizade ao longo do processo.
Uma História Com Base em Pesquisas
O roteiro, elaborado por Berlinsky e António Barreira, foi desenvolvido após extensa pesquisa histórica. De acordo com o ator André Luiz Miranda, que interpreta João, é fundamental mostrar uma realidade frequentemente omitida na história do Brasil. “João representa o amor em um contexto de casamentos arranjados, desafiando estereótipos e apresentando uma diversidade de pensamentos entre personagens negros”, destaca.
Além disso, a nova série aborda temas contemporâneos como sexualidade e sororidade, apresentando personagens que exploram suas identidades em um ambiente opressor. Indira Nascimento, que vive Maria, enfatiza a importância de sua personagem na discussão sobre a heterossexualidade compulsória, desejando que sua trajetória inspire mulheres a se libertarem de padrões impostos.
Produção de Alta Qualidade
A HBO Max investiu em uma infraestrutura monumental para dar vida à série, construindo uma cidade cenográfica de 1.710 metros quadrados no Rio de Janeiro, recriando a era imperial de Araxá com um rigor estético que mescla pesquisa histórica e visual cinematográfico. Com um guarda-roupa contendo mais de três mil peças, a produção reforça a ambientação e a riqueza da época.
Além disso, aproximadamente 350 profissionais e 70 atores participaram da criação da novela, que se comprometeu com a diversidade, incluindo mulheres em posições de liderança técnica e consultores de diversidade no roteiro. Renata Rezende, diretora de produção da Warner Bros. Discovery, destacou o caráter valioso do projeto, afirmando que apresenta a história brasileira sob uma nova luz.
Adriana Silva, diretora-geral da produtora Floresta, completou: “O Brasil é conhecido por suas novelas de qualidade. Este projeto é contemporâneo, potente e tecnicamente impecável”. Com isso, “Dona Beja” se apresenta como uma obra que não apenas entretém, mas também provoca reflexões essenciais sobre questões sociais relevantes nos dias de hoje.
