Críticas à Intervenção dos EUA na Venezuela
A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) não poupou críticas ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela. Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, a parlamentar afirmou que a destituição de Nicolás Maduro da presidência ocorreu por razões que vão além da suposta defesa da democracia no país. “Nicolás Maduro é um ditador, mas não caiu por esse motivo”, declarou Salabert neste domingo (4/1).
A parlamentar argumentou que a captura de Maduro, que foi levado para os EUA para ser julgado, reflete os interesses do governo do ex-presidente Donald Trump, especialmente em relação ao petróleo venezuelano. A Venezuela possui a maior reserva de petróleo do mundo, um fato que não passou despercebido pela deputada. Ela lembrou que Trump expressou interesse em negociar com o país latino-americano, reiterando sua intenção de que as companhias petrolíferas dos EUA se estabelecessem na Venezuela.
Após a prisão de Maduro, Trump afirmou que a nacionalização do petróleo na Venezuela foi “um dos maiores roubos de propriedade americana na história”. Essa frase, segundo Salabert, deixa claro que o interesse econômico é um fator central na ação militar americana.
Continuando sua linha de raciocínio, Duda Salabert enfatizou que a insatisfação dos EUA não se limita a Maduro, mas reflete uma instabilidade crônica na América Latina. “O mundo está enfrentando a maior crise econômica da história do capitalismo. Enquanto isso, a Organização das Nações Unidas, que deveria intervir para mitigar conflitos, está inativa”, criticou Salabert.
A Hipocrisia da Defesa da Democracia
Salabert destacou ainda a hipocrisia por trás da defesa da democracia pelos Estados Unidos. Segundo a deputada, se os norte-americanos realmente se preocupassem com a promoção da democracia, não fariam negócios com ditadores em países árabes. Ela relembrou que, ao longo da história, os EUA intervieram em diversas nações, promovendo a derrubada de democracias e o fortalecimento de regimes autoritários.
“O verdadeiro responsável pela crise global não é o Trump, mas o neoliberalismo falido. Os ataques à Venezuela devem servir de alerta para o Brasil”, afirmou a parlamentar. O alerta, segundo Duda Salabert, é claro: “Hoje, os EUA roubaram o petróleo da Venezuela. Amanhã, podem tentar roubar as terras raras brasileiras, alegando, como a ultradireita costuma fazer, que não há democracia no Brasil ou que as eleições foram fraudadas”.
Salabert concluiu sua análise enfatizando a importância de manter a soberania nacional e alerta para o futuro político do Brasil. “Se não pautarmos a soberania nacional e o anti-imperialismo, estaremos em apuros. Temos um papel a cumprir nas próximas eleições”.
Repercussão Entre a Esquerda
A posição de Duda Salabert ecoa entre outros representantes da esquerda brasileira, que têm se manifestado nas redes sociais em defesa da soberania da Venezuela. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) destacou que, embora ninguém esteja defendendo Maduro, é fundamental que os EUA não possam invadir outros países para se apropriar de suas riquezas. Para ela, a autodeterminação de qualquer nação deve ser respeitada.
A deputada estadual Lohanna França (PV-MG) também se manifestou, criticando uma postagem feita pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que fez uma montagem associando a prisão de Maduro a uma suposta intervenção dos EUA no Brasil. Lohanna ressaltou o risco que o Brasil corre, dado seu potencial na produção de recursos valiosos como petróleo, minerais raros e água.
Visão Divergente
Por outro lado, representantes do governo Lula têm adotado uma postura mais cautelosa. A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, criticou a euforia de alguns políticos em relação à prisão de Maduro, enfatizando que a invasão dos EUA à Venezuela não tem relação com a defesa da democracia, mas sim com a busca por uma intervenção que ameaça a soberania brasileira. Ela destacou a necessidade de se proteger a democracia em nosso país.
O ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, também expressou sua preocupação com a grave ação imperialista dos EUA, afirmando que nunca antes houve uma intervenção militar direta em nosso continente tão alarmante quanto essa. Ele ressalta a importância de estar atento às consequências dessas ações para a América Latina.
