Minas Gerais e a Revolução Energética
Nos últimos anos, Minas Gerais tem se afirmado como um dos principais protagonistas no processo de transição energética no Brasil. O Estado não só lidera a geração de energia solar em nível nacional, mas também se destaca em termos de potência fiscalizada, conforme informações da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG) e da Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar).
Esse panorama reforça a importância de Minas como um dos entes federativos mais relevantes na construção de uma matriz energética sustentável, baseada em fontes renováveis. O tema da transição energética será abordado na quarta edição do O TEMPO Seminários, agendada para o dia 27 de janeiro em Belo Horizonte. O evento reunirá lideranças empresariais, representantes de estatais, grandes grupos do setor privado e autoridades públicas. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo Sympla.
Potência Solar em Números
De acordo com dados da Sede-MG, o Estado alcançou, em novembro de 2025, impressionantes 13,3 gigawatts de potência em energia solar. Esse volume coloca Minas na vanguarda entre os demais estados brasileiros, aproximando a capacidade da energia fotovoltaica mineira da Usina Hidrelétrica de Itaipu, que é a maior da América Latina e possui cerca de 14 gigawatts de capacidade instalada.
O destaque do Estado é ainda mais evidente em um levantamento feito pela Absolar, que coloca Minas Gerais como líder em geração centralizada, com mais de 40.180 megawatts, superando estados como Bahia, Piauí e Ceará. Desde 2019, o governo estadual reportou a atração de mais de R$ 83 bilhões em investimentos privados somente para o setor solar fotovoltaico.
Impacto Econômico e Empregos
Como resultado dessa expansão no setor solar, quase sete mil postos de trabalho diretos foram criados. O presidente da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Reynaldo Passanezi, ressaltou que, apesar do grande potencial do Estado para a geração de energia solar, são necessários esforços significativos, especialmente na ampliação da infraestrutura elétrica, que inclui a construção de subestações. Atualmente, a Cemig é responsável pela liderança na geração distribuída em Minas.
“O foco dos nossos investimentos está concentrado na rede. Nossa meta não é necessariamente ser a empresa que mais crescerá na geração de fontes renováveis, uma vez que existem outros players no mercado. Contudo, a expansão da rede, dentro da nossa área de concessão, é uma atribuição exclusiva da Cemig. Estou interessado em atrair data centers e atividades que consomem muita energia para Minas, e para isso, precisamos de uma rede robusta”, afirmou Passanezi.
Inovações e Projetos Recentes
Um exemplo claro dessa estratégia foi a recente inauguração de uma microrrede de geração e armazenamento de energia solar na cidade de Serra da Saudade, conhecida como o menor município do Brasil, com apenas 856 habitantes, conforme dados do IBGE. Este projeto recebeu um investimento de R$ 7 milhões e foi projetado para funcionar como um sistema de respaldo energético. Em situações de falhas no fornecimento principal, o sistema é capaz de atender a demanda local por até 48 horas.
Seminários e Debates sobre o Futuro Energético
Os debates durante o O TEMPO Seminários serão divididos em painéis temáticos. A abertura será conduzida pelo presidente da Cemig, Reynaldo Passanezi, que discutirá o papel da empresa na transição energética. O segundo painel abordará os desafios da energia para o futuro, incluindo regulação, planejamento e desenvolvimento regional, com a participação de autoridades como o secretário de Leilões da Aneel, Ivo Sechi Nazareno, e representantes de associações do setor energético.
A penúltima mesa-redonda será voltada para a nova indústria verde, onde executivos de grandes empresas como Usiminas e Stellantis apresentarão suas iniciativas em busca de fontes renováveis. Para encerrar o evento, serão discutidas as perspectivas de Minas Gerais rumo a uma nova matriz energética, com a presença de especialistas em atração de investimentos e cadeias produtivas.
