Desafios e Estratégias nas Anotações de Flávio Bolsonaro
Após uma reunião do PL, o documento que traz anotações do senador Flávio Bolsonaro deixou transparecer uma série de entraves e articulações políticas em estados cruciais para a próxima eleição. Em Santa Catarina, após o partido definir as indicações de Carlos Bolsonaro e De Toni ao Senado, o ex-governador Esperidião Amin reiterou sua intenção de concorrer. O material, encontrado por jornalistas, oferece um panorama das movimentações políticas, incluindo a possibilidade de André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, substituir Felício Ramuth como vice de Tarcísio de Freitas.
No topo do documento, Flávio registrou a recomendação de “ligar Tarcísio”, indicando a importância de manter contato com o governador de São Paulo, que tem sido uma figura-chave na articulação do partido.
Investigações e Pressões Internas
Nas anotações, o nome de Ramuth surge associado ao símbolo de cifrão ($), o que acende um alerta sobre suas investigações em Andorra. O ex-prefeito de São José dos Campos é suspeito de envolvimento em lavagem de dinheiro, mas assegura que os valores são legais e devidamente declarados à Receita Federal. Essa situação gerou uma série de questionamentos que podem ameaçar sua continuidade na chapa de Tarcísio.
Com a pressão interna crescendo, o PL busca substituir Ramuth por André do Prado, que é visto como uma alternativa capaz de garantir maior controle da legenda sobre o palanque paulista, um elemento crítico para a candidatura presidencial bolsonarista em 2026.
Possibilidade de Eduardo Bolsonaro ao Senado
O documento também menciona o ex-deputado Eduardo Bolsonaro como um potencial candidato ao Senado, identificado pelas iniciais “EB”. Apesar disso, Flávio expressou dúvidas sobre sua viabilidade eleitoral, especialmente considerando sua experiência anterior de perda de mandato. Em suas palavras: “Se ele perdeu o mandato por faltas, como vai justificar aos eleitores sua candidatura?”, questionou o senador.
A seção dedicada a Minas Gerais revela ainda mais incertezas. Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), é apontado como uma alternativa viável, especialmente por sua relação com Nikolas, uma figura importante dentro do bolsonarismo local. Minas é essencial no cenário eleitoral, sendo o segundo maior colégio eleitoral do país, e tanto o PL quanto outras legendas já se preparam para uma disputa acirrada nesta região.
Tensões e Decisões Estratégicas
A aproximação do PL com o setor produtivo e a sua intenção de influenciar a definição de candidatos em Minas, ao invés de simplesmente apoiar a decisão do governador Zema, indicam um desejo maior de controle sobre o processo eleitoral. Esta tática pode ser crucial, especialmente ao considerar que nomes menos competitivos podem prejudicar a campanha presidencial.
Além disso, anotações sobre o deputado Marcos Pollon (PL-MS) revelam uma suposta solicitação de R$ 15 milhões para não se candidatar, o que foi negado por Pollon. Flávio argumentou que as anotações não representam decisões firmadas, mas reflexões e sugestões coletadas em reuniões.
Flávio enfatizou que as composições estaduais vêm sendo discutidas há mais de um ano e que qualquer decisão será sempre endossada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, com a expectativa de que o PL lance até 11 candidaturas para os governos estaduais, mostrando um envolvimento mais ativo da direção nacional em comparação com as eleições de 2022.
Movimentações no Nordeste
No Nordeste, os registros de Flávio indicam tentativas do PL de formar alianças pragmáticas. Na Bahia, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, foi mencionado como uma opção, com instruções para discutir antes de finalizar acordos. O Ceará apresenta um cenário ainda mais complicado, com indícios de apoio ao polêmico Ciro Gomes (PSDB) e a anotação “PL na chapa” sugerindo uma lista de nomes para o Senado que inclui figuras do PL.
Além disso, o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, e o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) também estão nos planos, com Flávio estabelecendo prazos para conversas e decisões.
Essas anotações, agora tornadas públicas, mostram não apenas a complexidade das articulações políticas do PL, mas também os desafios que a legenda enfrentará na busca por apoio e coesão em um cenário eleitoral cada vez mais disputado e dinâmico.
