O Impacto da Memória no Teatro
Nos dias 26 e 27 de março, às 19h, o Centro Cultural UFMG será palco do espetáculo teatral “Canção da Barbárie”, estrelado pela atriz Clarice Rodrigues. A peça relata a experiência de uma enfermeira que vivenciou os horrores conhecidos como “Holocausto Brasileiro” no Hospital Colônia, localizado em Barbacena (MG). A montagem, que chama a atenção para um dos períodos mais sombrios da história brasileira, é dirigida por Luan Silva e conta com a produção da Culturando Produções e do Quintal Boi da Manta. A entrada é gratuita, com ingressos a serem retirados antecipadamente pelo Sympla. A classificação indicativa é para maiores de 14 anos.
Com “Canção da Barbárie”, o público é apresentado a Dora, uma enfermeira que desenterra suas memórias do Hospital Colônia em Barbacena. Ao compartilhar suas experiências, Dora não apenas narra os horrores que presenciou, mas também enfrenta um dilema ético, entrelaçando sua história pessoal com os traumas coletivos da instituição.
Uma Perspectiva Histórica e Reflexiva
Estreada em 2025, a peça é baseada na dramaturgia intitulada “Colônia”, escrita pela própria Clarice Rodrigues. Documentos históricos de entre as décadas de 1970 e 1990 servem como pano de fundo para a narrativa, que aborda o “Holocausto Brasileiro” sob a ótica de uma profissional da saúde durante a Ditadura Militar. O texto foi desenvolvido no programa +Qualificação da Fundação de Artes de São Caetano do Sul (FASCS) e ganhou visibilidade por meio da Lei Paulo Gustavo em Minas Gerais.
A criação do espetáculo reflete uma necessidade urgente de discutir a Luta Antimanicomial, com Dora representando essa luta por dignidade e respeito aos direitos dos pacientes. A dramaturgia é resultado de uma pesquisa aprofundada que inclui marcos históricos e documentais, como o documentário “Em Nome da Razão” (dirigido por Helvécio Ratton em 1979) e o livro-reportagem “Holocausto Brasileiro” (de Daniela Arbex, de 2013). Além disso, a equipe envolveu-se em uma visita técnica ao Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB/Fhemig), enriquecendo ainda mais a experiência da montagem.
Em busca de referências para aprimorar a performance cênica, a equipe se dedicou a treinamentos técnicos oferecidos pelo Lume Teatro. Participações em residências, como na Ruarispakani (Teatro de Los Andes, Bolívia), também contribuíram para a incorporação de elementos da Dramaturgia da Imagem na peça. O espetáculo já foi reconhecido em festivais, sendo indicado como Melhor Solo no 4º Festival Nacional de Teatro de Ibiúna/SP e conquistando o prêmio de Melhor Espetáculo no 6º Festival Internacional de Teatro Cidade dos Anjos/RS.
Quem é Clarice Rodrigues?
Clarice Rodrigues, natural de Sete Lagoas – MG, é uma artista multifacetada: atriz, palhaça, sonoplasta e produtora cultural. Sua jornada no mundo do teatro começou ainda na infância, aos três anos, no grupo Contadores de Histórias Boi da Manta. Com formação em Dramaturgia pela Fundação de Artes de São Caetano do Sul (FASCS), ela participou de oficinas com reconhecidos profissionais, como Márcio Douglas e grupos de renome, como o Maria Cutia e Teatro de Los Andes. Em 2013, fundou o Carroça Teatral e obteve prêmios em festivais internacionais, incluindo o XX ETACC no Chile. Desde 2016, Clarice atua na gestão e produção cultural da Associação Cultural Boi da Manta e, a partir de 2022, faz parte da Grifo Teatro em Jundiaí/SP, contribuindo como atriz e sonoplasta. Seus trabalhos incluem a criação da cena Mãe Solo (2022) e, é claro, o excepcional “Canção da Barbárie” (2025).
Informações do Evento
Espetáculo: Canção da Barbárie
Datas: 26 e 27 de março de 2026
Horário: 19h
Duração: 60 minutos
Local: Auditório do Centro Cultural UFMG (Avenida Santos Dumont, 174 – Centro, Belo Horizonte / MG)
Entrada: Gratuita, com retirada antecipada de ingressos pelo Sympla
Classificação: 14 anos
