O Cenário Econômico para 2026
Em 2026, o Brasil deverá enfrentar desafios significativos em sua economia, além das eleições. O Banco Central deve iniciar um ciclo de redução da taxa Selic até março, enquanto o país se prepara para mais um déficit fiscal nas contas públicas. A inflação, que deve permanecer acima da meta, e a desaceleração da atividade econômica resultarão em um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) inferior ao observado em 2025.
Ricardo Rocha, coordenador do programa de pós-graduação em Finanças do Insper, comenta que os primeiros meses do ano podem trazer boas notícias. A expectativa é de que a redução da Selic estimule o mercado de ações. Além disso, o impacto da isenção do Imposto de Renda (IR) para rendimentos de até R$ 5 mil deverá, segundo ele, proporcionar um aumento no consumo, ajudando a evitar uma queda acentuada na atividade econômica.
“A inflação não deve ser um grande problema, considerando a atuação do Banco Central em relação aos juros. A grande preocupação é a questão fiscal e se o governo aumentará os gastos em um ano eleitoral. Independentemente do resultado das eleições, quem for eleito terá que implementar reformas, já que não há espaço para um aumento de impostos. Uma das principais medidas é desvincular o valor do salário mínimo dos benefícios previdenciários”, afirma Rocha.
Desafios Fiscais e Endividamento
Rocha ainda ressalta que as limitações do arcabouço fiscal não têm garantido a estabilidade da dívida pública, que deverá encerrar 2026 em torno de 85% do PIB. Este cenário representa um desafio significativo para a economia.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, observa que melhorias no arcabouço fiscal são prioritárias e devem ser discutidas ao longo de 2026, independentemente de quem esteja à frente do governo. Em sua última coletiva de imprensa antes de um recesso, ele enfatizou a importância de aprimorar as diretrizes fiscais.
“Independentemente da administração, o aprimoramento do arcabouço fiscal é fundamental”, declarou Haddad, acrescentando que a revisão do teto para o crescimento real das despesas será um tema relevante. A proposta é discutir a fixação do índice de aumento das despesas entre 2% e 3% ao ano, inferior ao atual de 2,5% acima da inflação.
Impacto da Taxa de Juros na Economia
Fernando Honorato Barbosa, diretor de Pesquisa Econômica do Bradesco, aponta que a desaceleração da economia é reflexo das altas taxas de juros, atualmente em 15% ao ano. Essa situação tem impactado negativamente o consumo das famílias, um dos pilares do crescimento econômico no Brasil. Barbosa projeta um crescimento do PIB de 1,5% para este ano.
“Os sinais de desaceleração da economia são mais intensos do que o esperado, especialmente no que diz respeito ao consumo das famílias, que está respondendo às condições monetárias restritivas”, destacou o economista em um relatório enviado aos clientes.
Ainda assim, ele acredita que a desaceleração não será mais acentuada devido ao aumento do salário mínimo, o qual também reajusta os benefícios previdenciários e sociais, assim como pela isenção do Imposto de Renda.
“A acomodação da atividade e das expectativas também contribui para menores repasses de preços. Para 2026, além da continuidade de parte desses fatores, a expectativa é de uma inflação mais contida, em torno de 3,8%”, previu Barbosa.
Expectativas de Déficit Público
No que diz respeito ao lado fiscal, Mário Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco, antecipa mais um déficit nas contas públicas. Ele estima que o rombo fiscal deve atingir 0,8% do PIB, equivalente a cerca de R$ 70 bilhões.
“Para 2026, a meta fiscal deverá enfrentar um desafio de 0,4% do PIB para que o limite inferior da meta seja cumprido. O aumento nas receitas de royalties e provenientes do mercado de trabalho foi contrabalançado por um aumento nas despesas com pessoal”, explica Mesquita em seu relatório sobre a situação econômica.
O principal risco fiscal, segundo Mesquita, é a possibilidade de adoção de medidas que enfraqueçam as restrições impostas pelo arcabouço fiscal. Ele observa que a norma em vigor ainda não é suficiente para garantir um superávit que estabilize a dívida pública, prevendo que ela deve alcançar 84% do PIB até o final de 2026.
