Desempenho das Exportações por Estado
No cenário das exportações brasileiras, 2025 se destacou como um ano de recordes históricos, com sete estados mostrando desempenhos notáveis. Dentre eles, o Rio de Janeiro se sobressaiu, alcançando a marca de US$ 48,1 bilhões em exportações, representando um crescimento de 5% em relação ao ano anterior e correspondendo a 13,8% do total das vendas externas do país. Minas Gerais também teve seu melhor desempenho, com US$ 45,7 bilhões, resultando em um aumento de 8,6%, enquanto Santa Catarina registrou US$ 12,2 bilhões, uma alta de 4,4%.
Na sequência, Mato Grosso do Sul obteve exportações de US$ 10,7 bilhões, com um crescimento de 7,5% que consolidou um novo recorde estadual. Rondônia se destacou ao exportar US$ 3,1 bilhões, marcando um crescimento expressivo de 17,2%, também atingindo o melhor resultado em sua história. Pernambuco, com US$ 2,5 bilhões e um avanço de 16,4%, e o Acre, que chegou a US$ 99 milhões com uma alta de 13,3%, completam a lista dos estados recordistas.
Composição das Exportações
A análise da composição das exportações desses estados revela uma forte concentração em produtos específicos. No caso do Rio de Janeiro, o setor de energia desempenhou um papel crucial, com os óleos brutos de petróleo representando a maior parte das vendas externas, somando mais de US$ 37 bilhões. Os óleos combustíveis, produtos semiacabados de ferro ou aço e minério de ferro também contribuíram de forma significativa para esse total.
Minas Gerais, por sua vez, apresentou uma pauta diversificada, mas ainda fortemente ancorada em commodities. O minério de ferro liderou as exportações, seguido pelo café não torrado, ferro-gusa, ouro não monetário, soja e açúcares, que juntos constituíram uma parte considerável do total exportado pelo estado.
Em Santa Catarina, as carnes mantiveram-se no centro das exportações, com as carnes de aves e carne suína liderando as vendas externas, acompanhadas de produtos industriais como geradores elétricos e motores.
O recorde em Mato Grosso do Sul foi amplamente impulsionado por produtos do agronegócio e da indústria de base, com soja, celulose, carne bovina e milho se destacando como os principais produtos exportados no estado.
Desafios e Oportunidades no Comércio Exterior
Os estados das regiões Norte e Nordeste também comemoraram máximas históricas em suas exportações, mas sua pauta apresentou menor diversificação. Rondônia, por exemplo, concentrou suas exportações na carne bovina, seguida por soja e milho. Em Pernambuco, os principais itens exportados incluíram óleos combustíveis, açúcares e produtos químicos, enquanto no Acre as vendas externas ficaram centradas em carne bovina e soja, que juntas corresponderam a uma parte significativa do total.
Além dos recordes, as estatísticas do MDIC (Ministério da Indústria, Comércio e Serviços) apontam para um crescimento acentuado das exportações em outras unidades federativas. O Ceará liderou a expansão proporcional com um impressionante aumento de 55,6% em 2025, seguido por Roraima (23%) e Tocantins (21,7%).
Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior da Secex, destacou que, embora os Estados Unidos sejam um dos principais destinos das exportações, não foram o maior mercado para a maioria dos estados com recordes, exceto Santa Catarina. O avanço das vendas brasileiras para a Argentina foi notável, refletindo também na performance de Santa Catarina.
Brandão enfatizou que a carne, especialmente a bovina, teve um papel chave nas exportações, mesmo após a imposição de uma sobretaxa de 50% pelo mercado americano. Produtos como celulose, milho, minério de ferro e café também foram essenciais para o crescimento, especialmente em Minas Gerais. Notou-se que cerca de 80% das exportações do Rio de Janeiro foram de petróleo, apesar de uma queda no valor total exportado.
A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, afirmou que o governo tem se empenhado em aumentar a participação dos estados no comércio internacional. Essa iniciativa é parte da Política Nacional da Cultura Exportadora (PNCE), lançada em 2023, que visa envolver os estados na mobilização de produtos com potencial para exportação.
Prazeres ressaltou que a inclusão no comércio exterior deve se estender a mais estados, além de considerar programas como ‘Elas Exportam’ e ‘Raízes Comex’, que buscam aumentar a participação de grupos minoritários nas exportações. Ela também destacou que as exportações têm efeitos positivos sobre a economia, com empresas que operam no exterior remunerando melhor seus trabalhadores e apresentando maior produtividade e competitividade.
