Despedida com Críticas à Política Externa
Brasília – O deputado Filipe Barros (PL/PR) encerrou seu mandato como presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) nesta terça-feira, 3. Em sua despedida, criticou fortemente a condução da política externa do Brasil, apontando para um cenário de isolamento nas discussões internacionais. Com o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL/SP) assumindo a presidência da comissão até 2026, Barros expressou preocupação sobre a crescente irrelevância do Brasil nas grandes questões globais.
Segundo Barros, “no plano internacional, evidenciou-se a crescente perda de relevância do Brasil nas discussões sobre os grandes temas globais. Nos últimos meses de 2025, durante a condução das ações dos EUA na Venezuela, o País sequer foi consultado, apesar de sua tradição diplomática e de sua posição geográfica estratégica com o país vizinho, o que evidencia preocupante limitação na articulação regional”, afirmou. Essa declaração reflete a frustração do deputado quanto ao papel do Brasil em cenários críticos que demandam liderança e diálogo.
Isolamento Diplomático e Retrocessos
Barros também mencionou a exclusão do Brasil nos diálogos sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia e nos processos de paz no Oriente Médio, evidenciando um quadro de isolamento que, segundo ele, deve ser urgentemente revertido. “Esse tema foi recorrente em minhas reuniões com embaixadores e autoridades estrangeiras, ocasiões em que manifestei as preocupações desta Comissão com a escalada da violência em diversas regiões do mundo e com a necessidade de o País resgatar seu protagonismo”, enfatizou, ressaltando a importância de um Brasil ativo nas discussões internacionais.
Durante seu mandato, a CREDN se reuniu 20 vezes em deliberações, promoveu 8 audiências públicas e duas visitas técnicas para monitorar políticas de relações exteriores e de defesa. O resultado dessas atividades foi a aprovação de 31 acordos e tratados internacionais, além de 16 projetos de lei, 1 projeto de lei complementar e 6 projetos de decreto legislativo. No total, foram deliberados 153 requerimentos, denotando um trabalho intenso e voltado para a modernização das relações externas do Brasil.
Avanços na Defesa Nacional e Inteligência
No que se refere à Defesa Nacional, Filipe Barros destacou a importância da interlocução com o ministro da Defesa, José Múcio, e os Comandantes das Forças Armadas. “Tratamos dos temas mais relevantes das Forças Armadas, com especial ênfase para os desafios orçamentários enfrentados pelo setor, como o apoio da CREDN à recuperação financeira da Avibras, importante empresa da Base Industrial de Defesa, também objeto de audiência pública de nossa iniciativa”, sublinhou.
Além de suas atividades na CREDN, o deputado acumulou a presidência da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) do Congresso Nacional em 2025. Como parte de seu legado, ele destacou a apresentação do Projeto de Lei nº 6.423, de 2025, que visa estabelecer um marco legal para a atividade de inteligência no Brasil. Barros também propôs um Projeto de Resolução para reformar o Regimento Interno da CCAI, possibilitando à comissão mais instrumentos para atuar com prerrogativas e atribuições claramente definidas, uma medida necessária para fortalecer a supervisão das atividades de inteligência no país.
Um Futuro de Desafios e Oportunidades
A conclusão de seu mandato, portanto, não é apenas um marco de encerramento, mas um convite à reflexão sobre o futuro da política externa e de defesa do Brasil. Os desafios são grandes, mas as oportunidades de resgatar um papel ativo e respeitável na arena internacional são igualmente significativas. À medida que Luiz Philippe de Orleans e Bragança assume a presidência da CREDN, a expectativa é que a comissão busque não apenas consolidar os avanços alcançados, mas também trilhar novos caminhos que possibilitem ao Brasil recuperar sua relevância no cenário global.
