Uma Nova Perspectiva para 2026
O olhar atento para as samambaias que minha mãe cultivou me traz uma sensação de tranquilidade. Estimo que elas estejam ali por mais de quarenta anos, renovando seus brotos com uma dignidade quase indomável. Não fazem alarde, não se exibem. Suas raízes firmes sustentam folhas que se inclinam sob a sombra da árvore, como se fizessem questão de reafirmar que não há pressa. Essa relação com o tempo sugere uma experiência que vai além da constante busca por produtividade.
O novo ano que se aproxima pede menos gritaria e mais escuta, uma maturidade coletiva que o Brasil tanto precisa. Se as samambaias pudessem compartilhar suas reflexões, não ofereceriam frases de impacto nem prometidas transformações. Não se tratam de gurus do Vale do Silício ou de duendes empreendedores impulsionando startups em foguetes. Sua filosofia é do silêncio, da beleza discreta e da repetição pacífica. Um cotidiano em que simplesmente ser um verde entre tantas orquídeas coloridas se revela mais valioso do que qualquer extravagância. Talvez Byung-Chul Han chamasse isso de resistência — uma escolha consciente de não competir.
