Austrália Aposta em Terras Raras no Brasil
Nos últimos dias, o governo da Austrália, por meio da Export Finance Australia, manifestou apoio financeiro para dois projetos de terras raras localizados no Brasil, com investimentos que podem totalizar até US$ 100 milhões. Essa decisão é um indicativo da crescente importância do Brasil no cenário global de recursos minerais, especialmente em um momento em que a diversificação de fornecedores é uma prioridade para muitos países ocidentais.
A mineradora Meteoric Resources, responsável pelo Projeto Caldeira, anunciou que recebeu uma carta de apoio para o financiamento. Após o anúncio, as ações da empresa na bolsa australiana apresentaram uma valorização superior a 8%. O Projeto Caldeira, que se situa em Poços de Caldas (MG), é considerado um dos mais importantes projetos de terras raras do mundo, utilizando argilas de adsorção iônica, uma técnica similar àquela atualmente adotada na China.
Esses depósitos, conhecidos como IACD (Ion Adsorption Clay Deposits), são não apenas raros, mas também possuem grande valor estratégico, permitindo uma extração menos agressiva e com menor impacto ambiental em comparação aos métodos tradicionais. De acordo com a Meteoric, o financiamento esperado irá viabilizar o desenvolvimento do projeto, por meio da contratação de empresas australianas nas áreas de engenharia, suprimentos e gestão de construção.
Apoio Internacional e Licenciamento Ambiental
Vale ressaltar que o Projeto Caldeira já conta com o respaldo financeiro do Export-Import Bank of the United States, a agência de crédito à exportação americana. Stuart Gale, CEO da Meteoric, declarou que a carta de apoio da Export Finance Australia representa um forte voto de confiança na estratégia da empresa e na sua capacidade de se afirmar como um importante fornecedor de materiais críticos.
Em dezembro passado, o projeto obteve a licença ambiental prévia, dando início às operações da planta-piloto e resultando na primeira produção de carbonato misto de terras raras. Informações obtidas por nossas fontes junto à mineradora indicam que o governo brasileiro tem se mostrado receptivo e aberto a investimentos estrangeiros nessa área.
Recentemente, Ana Paula Bittencourt, secretária nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, se reuniu com a embaixadora da Austrália no Brasil, Sophie Davies, para discutir a política de minerais críticos no país, evidenciando a colaboração entre os dois países para o desenvolvimento desses projetos.
Projeto Colossus Recebe Investimento e Ganha Importância Estratégica
Outro projeto, o Colossus, também ganhou destaque quando a mineradora Viridis Mining & Minerals anunciou, na terça-feira (6), ter recebido uma carta de apoio para financiamento da Export Finance Australia. O projeto, que está situado em Minas Gerais e é rico em terras raras, pode receber um financiamento de até US$ 50 milhões. A valorização das ações da Viridis na bolsa australiana foi ainda mais expressiva, superando 12% após o comunicado.
O Projeto Colossus é conhecido por suas reservas de argilas iônicas que contêm elementos como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, essenciais para a produção de ímãs permanentes utilizados em tecnologias modernas, incluindo veículos elétricos e turbinas eólicas. Além do apoio australiano, o projeto já havia sido considerado elegível para financiamento por agências de crédito de países como França e Canadá, atestando sua relevância técnica e econômica.
Este reconhecimento internacional reforça a classificação do Colossus como um projeto estratégico, especialmente em um momento em que países ocidentais buscam reduzir a dependência de insumos da China, que atualmente detém grande parte da cadeia global de terras raras. O governo francês, por sua vez, incluiu o Colossus no programa “Garantie de Prêt Stratégique”, que oferece garantias para financiamento de iniciativas de interesse nacional e geopolítico.
Com a licença ambiental prévia recebida em dezembro, o Projeto Colossus está avançando para uma fase crucial de due diligence, onde serão realizadas análises técnicas e financeiras antes da aprovação final do financiamento. A Viridis Mining tem como meta concluir a decisão de investimento até o segundo semestre de 2026, buscando consolidar-se como fornecedora de insumos minerais para mercados ocidentais, em um cenário de reestruturação das cadeias de suprimento e fortalecimento da segurança mineral global.
