Possíveis Candidatos do PL em Minas
O estado de Minas Gerais se apresenta como um cenário crucial na corrida eleitoral nacional. Atualmente, o Partido Liberal (PL) considera três opções para a candidatura ao governo local: a entrada na disputa com o nome de Simões, apoiar o senador Cleitinho (Republicanos) ou apostar em um terceiro nome, com Roscoe sendo o mais citado entre as alternativas.
Roscoe, um empresário do setor têxtil com mais de 30 anos de experiência, está em seu segundo mandato à frente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), cargo que ocupa desde 2018. Embora não tenha uma trajetória eleitoral anterior, sua atuação como interlocutor entre o setor produtivo e o governo de Zema o lançou em evidência, especialmente na defesa de pautas relacionadas ao ajuste fiscal e ao aprimoramento do ambiente de negócios.
Nos bastidores do PL, a possibilidade de candidaturas próprias passa a ganhar força, especialmente a de Roscoe, que poderia servir como um ponto de equilíbrio interno. Isso ocorre num momento em que o partido enfrenta a dificuldade de alinhar-se ao grupo do governo estadual ou à candidatura de Cleitinho, o que gerou discussões sobre a viabilidade de uma candidatura alternativa.
Cenário Político e Impasse
A eventual candidatura de Roscoe é vista como um plano B que dependeria da manutenção do impasse político nas próximas semanas. Recentemente, Flávio Bolsonaro comentou sobre anotações que vazaram, esclarecendo que as opiniões contidas nelas não representam suas visões pessoais, mas sim palpites de lideranças locais em conversas políticas.
Críticos e dirigentes do partido observam que o perfil empresarial de Roscoe pode ser uma estratégia para atenuar as resistências entre diferentes correntes da direita, além de evitar que a legenda se submeta ao projeto presidencial de Zema ou aprofunde disputas internas que podem ser prejudiciais ao bolsonarismo.
Atuação de Roscoe no Setor Industrial
Além de sua presidência na Fiemg, Roscoe também ocupa a vice-presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e preside o Conselho de Infraestrutura da entidade, o que amplia sua influência a nível nacional. Antes de assumir a Fiemg, ele liderou durante 16 anos o Sindicato das Indústrias Têxteis de Malhas de Minas Gerais (Sindimalhas) e mantém uma participação ativa em conselhos ligados a crédito, pesquisa e desenvolvimento empresarial.
Com uma presença forte nas redes sociais, Roscoe, caso decida entrar na corrida eleitoral, terá que lidar com os efeitos de declarações polêmicas que fez em entrevistas anteriores, como uma concedida à “Folha de S.Paulo”, onde disse que “idiota é quem trabalha com carteira assinada”, atribuindo a falta de mão de obra nas indústrias a programas sociais como o Bolsa Família.
Críticas ao STF e a Fiemg
Durante sua gestão, a Fiemg atuou como amicus curiae em ações que contestavam decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), reforçando sua posição em temas que impactam a liberdade individual e as operações das empresas. Em uma nota, a entidade declarou que a decisão do STF afetava não apenas a liberdade dos indivíduos, mas também o funcionamento de inúmeras empresas que veem o ambiente digital como essencial.
Em 2021, a federação também divulgou um manifesto criticando o STF, apoiando a revisão de sanções e a desmonetização de sites acusados de disseminarem notícias falsas. O documento enfatizava a importância da segurança jurídica e institucional, além de uma defesa robusta da liberdade de expressão.
Divisões Internas no PL
A divulgação das anotações de Flávio Bolsonaro evidenciou uma divisão significativa dentro do PL em Minas Gerais. Várias lideranças do partido se alinham à visão de que a candidatura de Simões pode encontrar dificuldades e comprometer os resultados do bolsonarismo no estado. Aliados de Simões destacam sua relação com Zema como um obstáculo, já que este é visto como um potencial adversário à presidência e pode impactar a base de apoio ao partido.
Atualmente, o PL enfrenta disputas internas entre grupos, como o liderado por Nikolas Ferreira e o deputado estadual Bruno Engler. Ambos são aliados históricos, mas suas posições em relação à sucessão estadual estão divergindo. Nikolas, procurado para comentar sobre a situação, optou por não se manifestar.
