Processo Disciplinar em Andamento
No dia 13 de março, Flávio Dino, ministro da Justiça, rejeitou o pedido de suspensão feito pelo promotor de Justiça Maurício Verdejo Gonçalves Júnior, do Ministério Público do Piauí. O pedido era para interromper o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que tramita no âmbito do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que apura a seríssima acusação de que Verdejo teria exigido a quantia de R$ 3 milhões em propina de um empresário, em troca de arquivar uma investigação criminal. De acordo com as informações, esse valor tentado inicialmente foi reduzido para R$ 2 milhões, que teriam sido pagos em parcelas, todas monitoradas pela Polícia Federal através de uma ação controlada. Além disso, o promotor já enfrenta uma denúncia criminal por parte do MP do Piauí relacionada a esse mesmo caso.
Após o CNMP ter negado a suspensão do processo administrativo, a defesa de Verdejo recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), pleiteando a paralisação do PAD até a realização de uma perícia psiquiátrica oficial. O advogado do promotor alegou que ele teria sido diagnosticado com Transtorno Afetivo Bipolar, apresentando laudos médicos que indicam sintomas como instabilidade emocional acentuada, lapsos de memória e ideias suicidas, além de outros prejuízos cognitivos.
Rejeição ao Pedido de Suspensão
Apesar dos argumentos da defesa, Flávio Dino decidiu manter a tramitação do PAD. O caso, que segue sob segredo de Justiça no STF, teve um parecer do ministro afirmando que o CNMP constatou a presença de Maurício Verdejo nas audiências do processo, o que indica que ele estava apto a participar dos atos processuais. Dino argumentou que essa participação ativa afasta a alegação de incapacidade do promotor em conduzir sua defesa dentro do processo disciplinar.
O ministro avaliou que a insistência em requerer a perícia psiquiátrica parece ser, na verdade, uma manobra processual intencionada para atrasar o andamento do PAD. Para Flávio Dino, a estratégia adotada pelo promotor não condiz com sua suposta condição de saúde mental debilitada, evidenciada pelo modus operandi detalhado nas investigações.
Indícios de Ação Delituosa
O ministro ainda destacou que as provas coletadas apontam para uma atuação planejada e sistemática de Verdejo, que supostamente envolvia sucessivas tratativas financeiras e recebimentos de valores em sua residência. Dino frisou que a utilização de um assessor para elaborar documentos em favor do empresário investigado e o bloqueio remoto do celular apreendido também indicam uma busca por vantagens ilícitas. Essas evidências reforçam a seriedade das acusações contra o promotor e a necessidade de prosseguir com o processo disciplinar.
