Setor de Tecnologia Domina Fusões e Aquisições
O mercado de fusões e aquisições (M&A) fechou o ano de 2025 com um total de 1.433 transações, conforme dados da PwC coletados até dezembro. Esse número indica uma recuperação gradual do setor, mantendo níveis elevados em relação ao pós-pandemia, mesmo que ainda esteja abaixo do recorde histórico alcançado em 2021.
A maior parte das operações ocorreu na região Sudeste do Brasil, que ficou responsável por 67,8% das transações. Dentre os estados, São Paulo se destacou, correspondendo a impressionantes 52,5% do total nacional. Minas Gerais e Rio de Janeiro ficaram em segundo plano, cada um com cerca de 7% das transações.
Na análise geográfica, a região Sul ficou com 15,7% das operações, enquanto o Nordeste, Centro-Oeste e Norte apresentaram participação reduzida no contexto das fusões e aquisições.
O Setor de Tecnologia e a Diversificação de Ativos
Quando observamos os setores envolvidos nas transações, a tecnologia se sobressaiu de maneira significativa, registrando 453 operações, ou seja, 31,6% do total. Logo atrás, vieram os setores de bancos e mercados de capitais, com 87 transações, seguidos por power & utilities (70), agronegócios (65) e serviços de apoio ao negócio (63).
Essa concentração de atividades em setores digitais e inovadores enfatiza a importância desses ativos nas estratégias corporativas atuais. Um especialista da PwC, que preferiu não se identificar, comenta que “as empresas estão cada vez mais em busca de tecnologias que possam agregar valor e inovação aos seus serviços”.
Perfil dos Compradores no Cenário de M&A
Em termos de perfil dos compradores, o mercado continua a ser majoritariamente estratégico. As empresas que atuam de maneira estratégica responderam pela maior parte das transações ao longo da história do setor e mantiveram essa tendência em 2025.
Enquanto o private equity ainda exerce influência, sua presença é significativamente menor se comparada aos níveis observados no início da década. No cenário nacional, as empresas brasileiras ainda dominam as aquisições, mesmo após um aumento considerável no interesse de investidores estrangeiros verificado em 2021 e 2022.
Entre os compradores internacionais, o Brasil se destaca como a principal origem, acumulando 7.347 transações ao longo dos anos. Os Estados Unidos lideram entre os compradores estrangeiros, seguidos pela França, Reino Unido e Canadá. Em 2025, a participação dos compradores internacionais permanece estável, sem indícios de uma nova onda de internacionalização.
Um Mercado Cíclico com Perspectivas de Recuperação
A trajetória do mercado de fusões e aquisições é cíclica: após um crescimento robusto entre 2019 e 2021, quando as transações saltaram de 912 para 1.659, observou-se uma retração em 2022 e 2023. Contudo, a partir de 2024, o volume começou a crescer novamente, com um aumento de 6,9% em 2025, refletindo uma retomada gradual, embora ainda sem a euforia dos anos anteriores.
Dessa forma, é evidente que a tecnologia desempenha um papel central no mercado de fusões e aquisições, moldando as estratégias corporativas e impulsionando as transações no Brasil. O que resta agora é acompanhar como essa dinâmica evoluirá nos próximos anos e quais novas surpresas podem surgir no horizonte do M&A.
