Desafios e Novas Lideranças em Minas Gerais
Com as recentes mudanças no comando do governo de Minas Gerais e das cidades de Contagem e Belo Horizonte, a gestão dessas localidades agora está sob a responsabilidade de políticos que inicialmente ocupavam o cargo de vice. Após a saída do ex-governador Romeu Zema (Novo) e o falecimento do ex-prefeito Fuad Noman, Mateus Simões (PSD), Ricardo Faria (PSD) e Álvaro Damião (União Brasil) assumem papéis de destaque, encarando o desafio de estabelecer suas próprias marcas no cenário político.
A legislação eleitoral brasileira exige que ocupantes de cargos no Poder Executivo deixem seus postos até seis meses antes das eleições, o que frequentemente resulta na ascensão dos vices. Segundo Lucas Zandona, advogado e professor da Estácio BH em ciência política, essa situação é uma consequência comum da desincompatibilização dos titulares.
Mateus Simões e Ricardo Faria foram alçados a seus novos cargos em momentos distintos. O primeiro assumiu o governo estadual após a saída de Zema, que planeja se candidatar à Presidência da República, enquanto Faria se tornou o prefeito de Contagem após a ex-prefeita Marília Campos (PT) decidir concorrer ao Senado Federal. Essa mudança repentina nos postos de comando exige dos novos gestores uma capacidade de adaptação imediata.
Herança Política e o Desafio do Novo
Os desafios enfrentados por Simões e Faria giram em torno da herança política que seus antecessores deixaram. Especialistas, como Zandona, afirmam que a habilidade de articulação política e a construção de uma identidade própria são essenciais para que esses novos líderes se distanciem da sombra de seus predecessores. “O vice deve demonstrar que consegue estabelecer uma gestão autônoma e eficiente, mesmo diante da pressão da herança política”, comenta Zandona.
Adriano Cerqueira, cientista político e professor do Ibmec, enfatiza que a relação entre o vice e o titular é crucial. No caso de Simões, a diferença de estilos e apelo eleitoral em relação a Zema pode ser um obstáculo significativo. “Simões terá que ampliar sua base de apoio se desejar se consolidar como um líder forte, uma vez que Zema possui mais influência no eleitorado mineiro”, ressalta Cerqueira.
O professor ainda explica que, caso o vice que se torne titular tenha mais tempo no cargo, isso pode proporcionar uma oportunidade para implementar uma postura mais independente na gestão. No caso de Ricardo Faria, ele tem pelo menos dois anos até as próximas eleições municipais, o que lhe dá um espaço maior para estabelecer sua própria linha de atuação na Prefeitura de Contagem.
Belo Horizonte e a Transição Imediata
Em Belo Horizonte, a situação de Álvaro Damião foge do padrão típico de ascensão dos vices. Damião tornou-se o prefeito da capital mineira após o trágico falecimento de Fuad Noman em março de 2025, poucos meses após as eleições de 2024. Fuad enfrentou complicações de saúde devido a um linfoma não-Hodgkin, o que resultou em diversas internações logo após a votação. Durante a sua enfermidade, Damião atuou como prefeito interino e, após a morte de Noman, foi empossado oficialmente como chefe do Executivo local no dia 3 de abril de 2025.
Esse cenário inesperado traz à tona a importância da continuidade nas políticas públicas da cidade, uma vez que Damião terá que lidar com a implementação do projeto estratégico que Fuad havia aprovado, que envolve uma reforma administrativa essencial para o funcionamento do Executivo municipal. A gestão de Álvaro Damião, portanto, não só herda uma estrutura política complexa, mas também a expectativa de dar continuidade ao trabalho iniciado por seu antecessor.
