Início da Liberação dos Mosquitos Wolbachia
Nesta segunda-feira (2/3), o Governo de Minas Gerais deu início à liberação do mosquito Aedes aegypti modificado com a bactéria Wolbachia, em Brumadinho. Esta tecnologia inovadora visa combater a dengue e outras arboviroses, marcando um novo capítulo nas políticas públicas de saúde do estado. A ação é coordenada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) e integra um esforço maior para enfrentar as epidemias de dengue, chikungunya e zika na Bacia do Paraopeba.
O método Wolbachia utiliza mosquitos portadores de uma bactéria que inibe a transmissão dos vírus relacionados às arboviroses. Este sistema já demonstrou eficácia em outras cidades brasileiras e agora se expande para a área afetada pelo rompimento da barragem em Brumadinho.
Um Marco na Saúde Pública de Minas Gerais
Segundo Fábio Baccheretti, secretário de Estado de Saúde, o lançamento dessa operação representa um marco histórico para a saúde pública em Minas Gerais. “Hoje é um dia emblemático, pois introduzimos uma nova ferramenta para intensificar o combate à dengue, chikungunya e zika. Temos a meta de reduzir consideravelmente os casos no estado. Este ano, esperamos que os indicadores estejam mais controlados, avançando no enfrentamento a doenças que têm afetado a população há anos,” afirmou o secretário.
A liberação do mosquito em Brumadinho é apenas o começo. A estratégia será ampliada progressivamente para outros 21 municípios da região. O projeto conta com a colaboração do World Mosquito Program Brasil, da Fiocruz, da SES-MG e da Prefeitura de Brumadinho.
Produção Sustentável e Investimentos Significativos
Os mosquitos ou “wolbitos” são produzidos em uma biofábrica localizada em Belo Horizonte, um empreendimento que contou com um investimento superior a R$ 77 milhões, oriundos do Acordo de Reparação de Brumadinho. Esse acordo foi estabelecido entre o Governo de Minas, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o Ministério Público Federal (MPF), a Defensoria Pública de Minas Gerais, e a Vale.
Rodrigo Matias, secretário adjunto de Planejamento e Gestão, enfatizou a importância estrutural dessa iniciativa. “Este projeto é parte do Acordo de Reparação e visa garantir uma solução permanente para o enfrentamento da dengue na região do Paraopeba. Começamos por Brumadinho, que foi o epicentro da tragédia. O município recebeu quase R$ 800 milhões do acordo, dos quais mais de R$ 300 milhões foram investidos na modernização do complexo de saúde local e na contratação de novos profissionais,” destacou Matias.
Fiscalização e Garantias de Transparência
O procurador Carlos Bruno, responsável pela execução do acordo, ressaltou o comprometimento com a fiscalização dos recursos. “A liberação dos mosquitos simboliza um avanço significativo no combate à dengue em Brumadinho. Temos priorizado o investimento em hospitais, unidades básicas de saúde e saneamento, além da biofábrica. A qualidade de vida da população é nossa prioridade, e há uma fiscalização contínua conduzida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), garantindo a correta aplicação dos recursos,” declarou.
Engajamento Comunitário e Aceitação Popular
Antes de iniciar a liberação dos mosquitos, o programa realizou um extenso trabalho de engajamento comunitário. A soltura ocorre somente após uma pesquisa que confirma a aceitação da maioria da população local. Cintia Pedrosa, secretária municipal de Saúde de Brumadinho, afirmou: “Com a redução das arboviroses, evitamos a sobrecarga nos serviços de saúde, garantindo um atendimento mais qualificado à população.”
Alexandra Andrade, representante da Associação dos Familiares das Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem em Brumadinho (Avabrum), também comentou sobre o simbolismo da ação. “É um alívio saber que Brumadinho é a primeira cidade a receber esse projeto. O uso do mosquito com Wolbachia é um avanço na proteção da saúde de todos,” destacou.
Uma Estratégia Baseada em Ciência e Segurança
A programação da liberação inclui uma Exposição sobre o Método Wolbachia, que ficará aberta ao público no Centro Administrativo da Prefeitura de Brumadinho até a primeira quinzena de abril, fornecendo informações sobre a tecnologia e seus resultados. Ana Carolina Rabelo, gestora do programa no Brasil, explicou: “A estratégia é natural, eficiente e autossustentável, sem alterações genéticas. Estudos confirmam a sua eficácia na redução da transmissão das arboviroses. Após as liberações, a Wolbachia se estabelece espontaneamente, contribuindo para o controle das doenças na região.”
O método não envolve modificações genéticas e a bactéria é encontrada em cerca de 50% das espécies de insetos. É seguro e não apresenta riscos à saúde humana, aos animais ou ao meio ambiente. Com o passar do tempo, os mosquitos com Wolbachia se reproduzem com os Aedes aegypti locais, transmitindo a bactéria às futuras gerações. Assim, gradualmente, a maioria da população de mosquitos passa a carregar a Wolbachia, resultando na diminuição da transmissão dos vírus e dos casos de dengue e outras arboviroses.
