A Verdade por Trás da Suposta Gripe Masculina
A ideia de que homens sofrem mais com a gripe é um assunto recorrente nas redes sociais. Recentemente, publicações afirmaram que eles experimentam sintomas mais intensos e têm um tempo de recuperação maior. O que poderia explicar essa diferença, segundo essas postagens, seria uma característica biológica masculina. Contudo, especialistas consultados pelo G1 concordam que não existem fundamentos científicos que sustentem essa tese.
O conceito de “gripe masculina” já é uma piada comum, utilizada para descrever como os homens reagem a doenças simples, transformando sintomas corriqueiros em situações dramáticas. Em muitos relatos, os homens aparecem como mais vulneráveis a infecções leves, gerando um estereótipo de fragilidade em momentos de enfermidade.
Sem Base Científica: O Que Dizem os Especialistas?
Recentemente, postagens nas redes sociais alegaram que pesquisas indicam que homens teriam uma experiência mais severa com a gripe. Estas publicações mencionaram um artigo do British Medical Journal (BMJ), uma respeitada revista científica. No entanto, esse artigo não é um estudo sério, mas parte de uma edição especial satírica de Natal de 2017.
O autor do texto, com muito humor, faz uma crítica ao chamado “man flu”, brincando que os homens se tornariam mais debilitados como uma forma irônica de conservação de energia. A infectologista Luana Araujo, que foi consultada para esclarecer a questão, enfatiza: “Quem usa esse texto como evidência não entendeu sua natureza. Não é um artigo científico e extrapolar isso para a fisiologia humana é um erro.”
Desmistificando a Recuperação e a Resposta Imunológica
Nas redes, internautas discutem sobre uma suposta resposta imunológica inferior dos homens ao vírus da gripe, o que, segundo eles, resultaria em um tempo de recuperação duas vezes maior em comparação às mulheres. Entretanto, essa afirmação carece de embasamento. O infectologista Renato Kfouri comenta: “Não há dados que mostrem diferenças significativas na resposta imunológica entre os sexos. A produção de anticorpos é equivalente, e homens e mulheres têm reações similares às vacinas.”
Apesar da biologia não ser um fator determinante nessa narrativa, os especialistas apontam que o que realmente pode estar em jogo é uma questão de comportamento. A médica Araujo explica que as mulheres tendem a seguir com suas rotinas mesmo quando estão doentes. Isso pode criar a impressão de que elas se recuperam mais rapidamente. “As mulheres costumam não ter o espaço para se permitir cuidar da própria saúde, o que as leva a agir e, consequentemente, a melhorar mais rápido,” afirma.
Crescimento nos Casos de Gripe no Brasil
Os dados recentes do Instituto Todos pela Saúde revelam um aumento significativo nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) relacionados à gripe: em 2026, até meados de março, foram notificados 3.584 casos, quase o dobro do que se registrou no mesmo período de 2025, que contabilizou 1.838 ocorrências.
Frente a esse cenário, os especialistas ressaltam a importância da prevenção, especialmente por meio da vacinação. No Sistema Único de Saúde (SUS), a campanha de vacinação é direcionada a grupos mais vulneráveis, incluindo crianças de seis meses a menores de seis anos, idosos acima de 60 anos, gestantes, além de pessoas com comorbidades e profissionais da saúde e educação.
