O Grito Rua: Uma Iniciativa Transformadora
O projeto Grito Rua: Clima e Cultura, desenvolvido pela Associação Intercultural de Hip Hop Urbanos da Amazônia (AIHHUAM), combina arte e ativismo, visando capacitar coletivos de jovens a lutarem por justiça climática. Neste ano, a proposta se concentrou em preparar os participantes para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).
Originado no Amazonas, o Grito Rua apresenta discussões vitais sobre identidade, juventude e sustentabilidade. Em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, Drica Albuquerque, coordenadora do projeto, e Rafa Pimentel, jovem envolvido na iniciativa e membro do Espaço Buriti em Parintins, abordam a relevância e os impactos do projeto.
Drica Albuquerque ressalta: “O Grito Rua fortaleceu dez coletivos em uma jornada formativa: sete de Manaus e três do interior do estado. Eles foram instruídos sobre justiça climática e a COP, aprendendo a ouvir as demandas da comunidade e implementar ações que melhorem seus territórios. Cada grupo recebeu recursos para desenvolver suas atividades e realizar intervenções comunitárias, como murais de grafite ou ações em cinemas e espaços sociais.”
A Importância da Arte na Luta Climática
A conversa com Drica revela a essência do Grito Rua, que surgiu da necessidade de fortalecer coletivos artísticos nas periferias do Amazonas, especialmente diante dos desafios da crise climática. “Durante a COP30, percebemos que muitos da periferia desconhecem o que é a COP. Portanto, nossa proposta foi levar conhecimento sobre a crise climática e seus impactos diretos nas comunidades”, explica.
Os coletivos participantes, além de receberem formação, tiveram a oportunidade de expor suas ideias e projetos. “Fizemos intervenções artísticas em locais como a Orla da União, em Parintins. Embora seja conhecida pelo Boi Bumbá, a cidade enfrenta sérios problemas que precisam ser discutidos. Criamos murais nas casas flutuantes da região, envolvendo os moradores no processo”, afirma Rafa Pimentel.
A arte, segundo ele, é uma ferramenta poderosa para mobilização e conscientização. “Nosso projeto, intitulado ‘Cidade Flutuante’, foi apoiado pela AIHHUAM e pelo Grito Rua. Acreditamos que a arte comunica de forma singular, alcançando aqueles que vivem na margem da sociedade”, destaca Rafa. O impacto foi significativo, com os moradores participando ativamente do processo de criação dos murais, que abordam questões ambientais críticas.
Resultados e o Futuro do Grito Rua
Com o suporte do Instituto Cultura, Comunicação e Incidência (ICCI), o Grito Rua não apenas promoveu a cultura, mas também uniu as questões climáticas à expressão artística. Drica Albuquerque enfatiza que “a maioria dos coletivos envolvidos é liderada por jovens que buscam transformar seus territórios”. Além de Parintins, o projeto beneficia coletivos em Iranduba e Presidente Figueiredo.
Esses coletivos têm promovido ações como imersões turísticas na Amazônia e produções culturais que envolvem a comunidade, formando um verdadeiro entrelaçamento entre arte e ativismo. “As pessoas nas periferias são as mais afetadas pelas secas e enchentes extremas. O Grito Rua reafirma nosso compromisso de fortalecer esses territórios e criar redes de transformação”, completa Drica.
Acompanhar o trabalho do Grito Rua e da AIHHUAM é possível através do Instagram: @aihhuam. Na próxima semana, a associação lançará mais dois editais para apoiar ainda mais iniciativas que fortaleçam a Amazônia.
Reflexões Finais sobre o Espaço Buriti
Para Rafa, a experiência no Espaço Buriti foi enriquecedora. “Desde 2018, nosso trabalho se intensificou. O apoio técnico e financeiro da AIHHUAM foi crucial. Com as ferramentas certas, conseguimos não apenas criar arte, mas também disseminar conhecimento. Essa rede de líderes e artistas deve trabalhar coletivamente para que a comunidade compreenda e enfrente suas próprias questões”, reflete Rafa.
O projeto Grito Rua e sua abordagem inovadora mostram que a arte pode ser uma poderosa aliada na promoção de mudanças sociais, especialmente em tempos de crise climática. “Toda cidade é flutuante”, afirma Rafa, ilustrando a importância de compreender as realidades de quem vive na Amazônia, além dos festivais e tradições.
