Esquema Fraudulento Atinge Justiça Brasileira
Uma organização criminosa está sendo investigada por utilizar de maneira irregular credenciais de juízes para acessar sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Esse acesso não autorizado possibilitou a emissão de alvarás de soltura falsificados, alterações em mandados de prisão e desbloqueio de valores que haviam sido retidos pela Justiça, além da liberação de veículos apreendidos.
O grupo, que foi liderado por Ricardo de Araujo, teve sua atuação revelada após uma operação realizada no dia 10 de dezembro. Na sequência, Ricardo e outros dez envolvidos foram detidos. Contudo, em um desdobramento inesperado, no dia 20 de dezembro, Ricardo e mais três comparsas conseguiram deixar a unidade prisional Ceresp Gameleira, localizada na Região Oeste de Belo Horizonte. Eles saíram usando alvarás de soltura fraudulentos, os quais foram obtidos por meio do acesso ilegal aos sistemas judiciais.
Cerca de um mês depois, na última quarta-feira, a Polícia Civil de Minas Gerais, em colaboração com a força policial do Rio de Janeiro, conseguiu recapturar o hacker e um de seus cúmplices, Matheus Silva, que também estava entre os alvos da operação inicial. Na quinta-feira, ambos foram submetidos a uma audiência de custódia, onde a Justiça de Minas Gerais decidiu pela prisão preventiva, ou seja, por tempo indefinido.
As investigações agora buscam descobrir se houve envolvimento de servidores públicos no esquema, conforme esclareceu o delegado responsável pelo caso, Leandro Macedo, em entrevista à TV Globo: “Nenhuma hipótese está descartada, mas até o momento, em nossa investigação, não encontramos a participação de nenhum servidor. Os dados de acesso utilizados eram legítimos, mas as próximas fases da operação vão esclarecer como esses dados foram obtidos. Isso pode ter ocorrido através de outros hackers, na Dark Web, ou possivelmente pela colaboração de algum servidor público”.
A Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais confirmou que um procedimento interno foi instaurado para investigar administrativamente a soltura dos detentos por meio desses alvarás falsificados. As repercussões desse caso alarmante destacam a necessidade de uma maior segurança nos sistemas judiciais e a vigilância constante contra fraudes que possam comprometer a integridade do sistema de justiça no Brasil.
