Um Legado Inesquecível
Faleceu neste sábado (10/1), no Rio de Janeiro, o renomado dramaturgo Manoel Carlos, aos 92 anos. A notícia foi confirmada pela produtora Boa Palavra, que cuida do patrimônio cultural do escritor. Infelizmente, a causa da morte não foi divulgada e, conforme informações, o velório será restrito a familiares e amigos próximos.
Manoel Carlos, ao longo de sua carreira, deixou uma marca indelével na televisão brasileira com suas tramas envolventes, que variaram de “Por Amor” a “Mulheres Apaixonadas”. Mais do que isso, ele criou uma série de personagens femininas icônicas que compartilharam um nome: Helena. Essa escolha se tornou uma verdadeira assinatura do dramaturgo, uma característica que o tornou inconfundível na dramaturgia nacional.
As Helenas que Fizeram História
Ao todo, Manoel Carlos apresentou nove Helenas ao público, cada uma com sua própria história e personalidade. Regina Duarte se destacou como a atriz que mais interpretou esse nome em suas novelas, assumindo o papel em três grandes produções: “História de Amor”, em 1995, “Por Amor”, em 1997, e “Páginas da Vida”, de 2006.
A inspiração para esta repetição do nome, segundo o próprio autor, vem da Helena de Troia, a beleza lendária da mitologia grega. Além disso, sua estreia na televisão com uma adaptação da obra de Machado de Assis, em 1952, também influenciou essa escolha. Contudo, quem abriu essa linhagem de personagens foi Lilian Lemmertz, em “Baila Comigo”, em 1981, na TV Globo. O legado continuaria com sua filha, Julia Lemmertz, que interpretou uma das Helenas em “Em Família”, 33 anos depois, enquanto Julia Dalavia e Bruna Marquezine também deram vida à jovem Helena em sua narrativa.
A Evolução das Personagens Femininas
Manoel Carlos também fez questão de incluir diversidade em seus papéis. Em “Felicidade”, de 1991, Maitê Proença foi mais uma a carregar o nome, e, em 2000, Vera Fischer trouxe Helena à vida em “Laços de Família”. A personagem de Vera, mãe que prioriza a felicidade da filha, interpretada por Carolina Dieckmann, em detrimento de seu amor pelo galã vivido por Reynaldo Gianecchini, se tornou uma das mais marcantes da novela.
Christiane Torloni também foi a Helena em “Mulheres Apaixonadas”, em 2002, uma trama que refletia as mudanças sociais e o empoderamento feminino, especialmente no início do novo milênio, onde a personagem opta por seguir seu coração e recomeçar sua vida.
Rupturas e Novos Horizontes
Em 2009, a atriz Taís Araújo fez história ao interpretar a primeira Helena negra das obras de Manoel Carlos, em “Viver a Vida”. A artista carrega até hoje uma certa frustração em relação à recepção da personagem, refletindo sobre os desafios enfrentados nos bastidores da produção.
A importância de Manoel Carlos na teledramaturgia brasileira é inegável, e suas criações continuam a reverberar no imaginário coletivo. O legado deixado por ele transcende as telas, impactando gerações e moldando a forma como personagens femininas são escritas e interpretadas na televisão. A repetição do nome Helena em suas obras destaca não apenas a beleza, mas a complexidade e as nuances da experiência feminina, um tema que ao longo dos anos se revelou cada vez mais relevante.
