Repercussões do Carnaval no Atendimento Hospitalar
A Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais (Federassantas-MG) expressou preocupações sobre o agravamento da situação assistencial nos hospitais que atendem exclusivamente pelo SUS em Belo Horizonte durante o carnaval. Este período, caracterizado por um aumento substancial na demanda por serviços de urgência e emergência, tem gerado sérias reclamações por parte das instituições de saúde, que enfrentam atrasos significativos nos repasses de verbas por parte da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).
Belo Horizonte é beneficiada com repasses do Ministério da Saúde, que devem ser direcionados a estas instituições. Entre os hospitais que estão passando por dificuldades estão a Santa Casa BH, o Hospital São Francisco, a Rede Mário Penna, o Hospital Sofia Feldman, o Hospital da Baleia, o Hospital Universitário Ciências Médicas e o Hospital Risoleta Neves.
De acordo com a Federassantas-MG, os atrasos começaram a ser percebidos em meados do ano anterior. Em janeiro, a entidade informou que os hospitais receberam apenas 25% do total de cerca de R$ 100 milhões que deveriam ter sido repassados pela PBH. Essa situação levou ao alerta sobre o risco iminente de colapso nas instituições de saúde.
Reunião e Ausência de Soluções Concretas
Uma reunião realizada no dia 2 de fevereiro na Superintendência Regional do Trabalho (SRTE) não resultou em encaminhamentos eficazes. A Federassantas-MG criticou a ausência de representantes da Prefeitura com poder de decisão, já que apenas um procurador, sem autonomia para apresentar propostas ou soluções emergenciais, estava presente. Essa realidade, segundo a entidade, frustrou as expectativas de um avanço significativo e revelou a falta de compromisso da PBH com a crise no setor hospitalar.
A federação destacou que as instituições de saúde enfrentam uma grave falta de previsibilidade e transparência nos repasses financeiros, o que impacta diretamente a assistência prestada à população. Além disso, mencionou a dificuldade em honrar compromissos como o pagamento de salários e benefícios, o atraso no fornecimento de insumos e o risco real de restrições em atendimentos e internações.
Ainda em 7 de janeiro, após uma reunião com a Secretaria Municipal de Saúde, a PBH prometeu repassar aproximadamente R$ 115 milhões até o dia 30 de janeiro e se comprometeu a regularizar os valores pendentes até o final de fevereiro. Contudo, a presidente da Federassantas-MG, Kátia Rocha, afirmou que o Executivo Municipal não cumpriu com o cronograma de apresentação dos valores e datas referentes a cada hospital.
Descontentamento com a Comunicação da PBH
No dia 23 de janeiro, a Federassantas-MG enviou uma notificação extrajudicial à PBH, estabelecendo um prazo de 48 horas para resposta, mas não obteve retorno. Além disso, a federação criticou a divulgação de números globais pela PBH em relação à rede municipal de saúde, que não refletem a realidade dos repasses destinados às sete instituições envolvidas. Essa falta de clareza na comunicação tem gerado insatisfação entre as entidades de saúde.
Os hospitais, preocupados com a gestão de seus estoques, alertam sobre a escassez de medicamentos, OPME (Órteses, Próteses e Materiais Especiais) e outros insumos essenciais para a segurança dos pacientes. A situação atual, segundo a Federassantas-MG, indica que o colapso assistencial não é uma mera possibilidade futura, mas sim uma realidade que já está se instaurando. A entidade clama por ações imediatas e transparentes da Prefeitura de Belo Horizonte, enfatizando a necessidade de regularização dos pagamentos em atraso, sob pena de comprometer o direito da população ao atendimento pelo SUS.
