Vice-governador assumirá missão de finalizar unidades hospitalares em Minas Gerais
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), entregará ao vice, Mateus Simões (PSD), a tarefa de concluir a entrega de ao menos dois dos seis hospitais regionais prometidos na campanha pela reeleição em 2022. O compromisso inicial do governador era finalizar as unidades de saúde e colocá-las em funcionamento como parte de sua estratégia para fortalecer a saúde do estado durante seu segundo mandato.
Entretanto, devido a disputas judiciais, problemas contratuais e sucessivos adiamentos, Zema, que deve se desincompatibilizar até abril para concorrer à Presidência em 2026, deixará o cargo sem inaugurar todos os empreendimentos. É sabido, por exemplo, que um dos hospitais prometidos não será realizado. As entregas previstas para o ano que vem ficarão nas mãos de Simões, que já se posiciona como pré-candidato ao governo do estado. Dentre os cinco hospitais esperados, apenas um tem data prevista para iniciar operações.
Na sua proposta original, Zema prometeu concluir o mandato com novas unidades hospitalares em diversas localidades, como Juiz de Fora (Zona da Mata), Conselheiro Lafaiete, Sete Lagoas (Central), Divinópolis (Centro-Oeste), Governador Valadares (Rio Doce) e Teófilo Otoni (Vale do Mucuri). As obras dessas estruturas foram iniciadas por gestões anteriores, mas todas enfrentaram paralisações nas últimas duas décadas.
Durante a campanha de 2022, o plano de governo de Zema, enviado à Justiça Eleitoral, afirmava que a construção e operação dos hospitais regionais seria uma continuação dos esforços iniciados em 2019. “Pretendemos finalizar a entrega dos hospitais regionais para reduzir os vazios assistenciais e reorganizar a rede de atenção regional”, dizia o documento.
No entanto, a um ano de concluir seu segundo mandato, Zema entrega o governo com apenas duas das seis construções prometidas finalizadas. A primeira, o Hospital Regional de Teófilo Otoni, foi inaugurada no dia 15 de dezembro, mas começará a funcionar plenamente apenas em março de 2026, sob gestão do Instituto Mário Penna. Outra unidade, a de Divinópolis, também está pronta, mas a população ainda aguarda sua abertura oficial. Esta estrutura foi doada ao governo federal e será administrada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
Antes de deixar o Palácio Tiradentes, Zema promete entregar mais uma unidade, com expectativa de conclusão da obra em Sete Lagoas até março. A primeira que será entregue por Simões é a de Governador Valadares, prevista para junho. A construção em Conselheiro Lafaiete, por sua vez, está prometida para o fim de 2026, mas corre o risco de atrasos. Em novembro de 2023, a entrega do hospital de Lafaiete foi adiada para o segundo semestre de 2025, mas atualmente o que se vê no local é apenas uma estrutura inacabada. Nos últimos dois anos, a execução ficou travada devido à revisão de projetos e quebras contratuais, sendo que o contrato atual prevê a entrega até agosto de 2027.
Quanto à unidade de Juiz de Fora, a situação é ainda mais complicada. Após a descoberta de falhas construtivas e um impasse que resultou em disputas judiciais com a prefeitura, a obra, iniciada em 2017 durante a gestão de Fernando Pimentel (PT) e retomada em 2023, foi definitivamente abandonada em 2024.
‘Promessa já foi feita várias vezes em eleição’
Apesar das promessas de conclusão, o vereador Pedro Américo (PT), de Conselheiro Lafaiete, expressa descrença por parte da população em relação ao projeto. “Lamento muito o uso político da saúde, pois essa promessa já aconteceu várias vezes em períodos eleitorais do governo do estado. É irresponsável gastar dinheiro público dessa forma. Milhões já foram investidos nessa obra, que mal começou e ficou abandonada por anos. Agora, novamente, só colocaram poucos funcionários para iludir a comunidade sobre a retomada das obras e desperdiçar mais recursos. Como parlamentar que sempre defendeu a saúde e o social, espero que dê certo, mas não acredito que isso vá acontecer”, desabafou. Segundo ele, o Legislativo está acompanhando de perto a execução da obra em Conselheiro Lafaiete e tem cobrado mais transparência do estado.
Unidades terão gestão privada, mas atenderão 100% SUS
Quando estiverem totalmente operacionais, os cinco novos hospitais deverão aumentar em 1.400 o número de leitos disponíveis ao Sistema Único de Saúde (SUS) em Minas. Essas unidades afetarão 25,9% dos municípios do estado, beneficiando aproximadamente 6,7 milhões de cidadãos em 221 cidades, de acordo com estimativas do governo. A gestão será privada.
Em Teófilo Otoni, a unidade terá a maior abrangência, atendendo média e alta complexidade de 57 cidades, com 429 leitos, dos quais 30 serão de UTI. O retorno das construções tem um custo estimado de R$ 985 milhões, financiado por recursos do acordo referente ao rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. Para Valadares, os recursos virão do acordo de Mariana.
