Desgastes e Críticas Durante o Primeiro Ano
A presidência de Hugo Motta (Republicanos-PB) na Câmara dos Deputados, que teve início em 2025, foi marcada por um amplo apoio político, resultante de uma aliança de múltiplos partidos com diferentes orientações ideológicas. No entanto, ao longo de seu primeiro ano, Motta se viu em meio a críticas por ter buscado atender às demandas de seus diversos apoiadores. O que deveria ser um sinal de inclusão acabou gerando descontentamento, levando a acusações de que ele estabelecia ‘falsas equivalências’. Essa abordagem fez com que sua imagem ficasse manchada tanto junto aos seus pares quanto entre a população, refletindo uma gestão que terminou o ano com avaliações negativas.
O deputado enfrentou crises significativas durante seu mandato. O descontentamento entre partidos de esquerda culminou em manifestações nas ruas, acusando a Câmara e Motta de apoiar a anistia de condenados pela tentativa de golpe ocorrida em 2023. No segundo semestre, sua liderança foi desafiada por um grupo de parlamentares bolsonaristas, que ocuparam a cadeira presidencial da Câmara por mais de 30 horas, levando Motta a optar por não usar a força para desocupar o espaço. Essa decisão foi criticada, especialmente quando, no final do ano, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) foi retirado pela segurança em uma situação semelhante, gerando ainda mais acusações de tratamento desigual.
Desempenho nas Pesquisas e a Necessidade de Recuperação
Os desgastes enfrentados por Motta foram refletidos nas pesquisas de opinião. Uma pesquisa da Quaest, realizada entre deputados federais, indicou uma queda nas menções positivas sobre sua gestão, que despencaram de 68% em junho para 55% no final do ano. Por outro lado, as menções negativas aumentaram de 6% para 13%, um indicador claro de que a aprovação de Motta enfrentou desafios, especialmente entre a bancada governista e parlamentares considerados independentes.
No que diz respeito à condução das votações em plenário, ele também encontrou dificuldades. Motta desejava ‘limpar’ a pauta de 2025, eliminando questões que poderiam gerar conflito entre a oposição e o governo, mas não conseguiu atingir esse objetivo. Ao voltar do recesso em fevereiro, um dos principais desafios será a PEC da Segurança, que enfrenta resistência de governadores de oposição e promete gerar debates acalorados, especialmente em um ano eleitoral, sendo uma das principais preocupações da população.
Novos Desafios e Propostas em Perspectiva
Outro tema polêmico que continua em pauta é o ‘PL Antifacção’, que foi proposto pelo governo, mas sofreu alterações significativas na Câmara, sob a relatoria de Guilherme Derrite (PP-SP), escolhido por Motta. A proposta, que foi alterada no Senado, retornará à Câmara, um processo que promete trazer mais desgaste. Nesse cenário, Motta busca deixar sua marca à frente da Câmara, apostando em propostas de grande apelo popular. Uma das principais iniciativas é a emenda constitucional que visa eliminar a escala de trabalho 6×1, prevista para ser discutida em fevereiro. Essa medida está alinhada ao governo, o que pode facilitar a reaproximação de Motta com Lula, especialmente após os atritos do ano anterior, embora possa gerar novas tensões com a oposição, que já se posicionou contra essa mudança.
O principal desafio de Motta continua sendo o equilíbrio entre os diferentes lados da política, buscando atender a todos enquanto constrói uma imagem mais sólida para sua gestão. À medida que novos desafios surgem, o deputado paraibano terá que navegar cuidadosamente para não repetir os erros do passado e conquistar a confiança necessária para seguir em frente.
