Análise dos Efeitos do Conflito no Setor de Avicultura
Os produtores de carne de frango no Brasil se encontram em estado de alerta devido ao recente conflito no Oriente Médio, conforme destacam especialistas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), vinculado à Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba. De acordo com informações obtidas por agentes do setor, os avicultores estão considerando redirecionar suas exportações para outros mercados, uma vez que o Oriente Médio, tradicional comprador do frango inteiro brasileiro, pode reduzir suas aquisições. Essa avaliação foi publicada em um boletim na última sexta-feira (6).
O Cepea enfatiza que em 2025, cerca de 25% das exportações de carne de frango do Brasil tinham como destino os países do Oriente Médio. No entanto, as incertezas provocadas pela guerra entre Estados Unidos e Irã levantam a possibilidade de que novas remessas para essa região sejam interrompidas. Os relatos de avicultores sinalizam essa preocupação, que pode impactar significativamente a dinâmica do mercado exportador.
Possíveis Consequências para o Mercado Interno
Se as vendas externas de carne de frango forem, de fato, severamente afetadas pelas tensões no Oriente Médio, a proteína pode ser direcionada para consumo interno. Contudo, essa mudança traz uma série de novos desafios para a avicultura brasileira. Isso inclui a necessidade de adaptações em embalagens e rotulagens, conforme apontam especialistas. Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita representam, respectivamente, o primeiro e o terceiro maiores destinos da carne de frango brasileira, com mais de 877 mil toneladas exportadas para essas nações em 2025, segundo dados da Secex.
No entanto, a transição para o mercado interno não é simples e envolve questões logísticas, legais e sanitárias, o que pode complicar a operação para muitos avicultores. O Cepea ainda ressalta que o conflito já afetou países próximos, como Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Líbano. Além disso, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital para o comércio na região da Península Arábica, o que pode agravar ainda mais a situação.
Aumento nos Custos e Poder de Compra
Economistas alertam que o conflito entre os Estados Unidos e o Irã poderá impactar os preços dos alimentos para os consumidores brasileiros nos próximos meses, elevando os custos de produção. No que diz respeito ao poder de compra dos avicultores em São Paulo, os dados do Cepea revelam que fevereiro de 2026 foi marcado por uma queda contínua no poder de compra dos avicultores em relação ao milho e ao farelo de soja. O preço do frango vivo, que já apresentava uma tendência de baixa, atingiu seu menor patamar real desde maio de 2024, segundo a série de medições deflacionadas pelo IGP-DI de janeiro deste ano.
Até 25 de fevereiro, três dias antes do início do conflito entre EUA e Irã, o preço médio do frango vivo em São Paulo era de R$ 5,04 por quilo, refletindo uma queda de 2,1% em comparação com janeiro. Em meio a essa instabilidade, o mercado de milho se mantém praticamente estável, enquanto o farelo de soja apresentou um pequeno aumento. A conjuntura atual exige atenção e adaptação por parte dos produtores, a fim de mitigar possíveis perdas e garantir a sustentabilidade do setor.
