Expectativas do Setor de Plástico
A indústria de transformação de plástico encara um cenário de crescimento modesto para 2026, condicionado, em grande parte, ao aumento de produtividade. O Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de Minas Gerais (Sindiplast) fundamenta essa projeção em margens de lucro reduzidas, altos custos operacionais e incertezas econômicas.
Embora o setor tenha enfrentado uma retração significativa nos últimos dois anos, um leve avanço foi observado no início deste ano. Segundo o sindicato, esse progresso moderado foi impulsionado por uma recuperação parcial dos volumes produzidos e por ganhos operacionais, embora sem uma expansão substancial da capacidade produtiva.
A presidente do Sindiplast, Ivana Braga, ressaltou que, “na comparação interanual, nota-se um crescimento real moderado, que está abaixo da média dos países competidores. Diferente do período entre 2024 e 2025, que foi marcado por uma queda mais acentuada, o momento atual é técnico e defensivo, sustentado por uma reapropriação parcial de volumes e ganhos operacionais, sem uma ampliação significativa da capacidade instalada”.
Produção e Inovações no Setor
Entre os principais produtos do setor, estão a fabricação de embalagens recicláveis e itens voltados para infraestrutura e saneamento, tanto em projetos públicos quanto privados. Braga enfatizou que o fortalecimento da economia circular, especialmente relacionado a materiais reciclados e o desenvolvimento de resinas com maior desempenho técnico, pode trazer um impacto positivo. Além disso, a automação na produção, em resposta à escassez de mão de obra, e a reorganização das cadeias globais de suprimentos são fatores que devem influenciar o setor.
No entanto, para este ano, os desafios não são poucos. Ivana Braga mencionou a necessidade de lidar com custos operacionais elevados, combater práticas de dumping e ampliar o acesso a financiamentos que sejam compatíveis com a realidade do setor industrial.
Concorrência Internacional e Desigualdades Estruturais
A competição desleal se destaca como um dos obstáculos mais significativos para a indústria de plástico no Brasil. Segundo Braga, a estruturação das indústrias em países como Estados Unidos, Alemanha e China coloca o Brasil em desvantagem. “Produtos importados, especialmente de países asiáticos, chegam com preços até 40% mais baixos, muitas vezes sem considerar integralmente tributos, custos ambientais e exigências regulatórias que são impostas à indústria nacional”, afirmou.
A dificuldade em obter financiamento para modernizar o maquinário é outro fator que complica o cenário. A presidente do Sindiplast argumenta que essa modernização é crucial para compensar a falta de mão de obra qualificada, especialmente em áreas técnicas e de manutenção industrial.
Demandas por Reformas e Políticas Sustentáveis
Ivana Braga defende que, para garantir a viabilidade econômica do setor, o Brasil precisa implementar políticas industriais e buscar condições de concorrência mais justas no mercado interno. “O setor de transformação de plástico continuará sendo estratégico para a economia brasileira, mas sua sustentabilidade depende de reformas estruturais robustas, políticas industriais de longo prazo e uma concorrência justa no mercado interno”, concluiu.
