Desempenho da Indústria em Minas Gerais em Janeiro
A indústria de Minas Gerais registrou mais uma queda na produção em janeiro, acumulando três meses consecutivos de retração. Os dados refletem não apenas a sazonalidade, mas também os efeitos da manutenção dos juros em níveis elevados e um arrefecimento na atividade econômica. O índice de evolução da produção ficou em 42,5 pontos, bem abaixo da linha de 50 que indica crescimento. Os resultados de meses anteriores também foram negativos, com novembro apresentando 40,4 pontos e dezembro, 36,6 pontos.
Comparando janeiro de 2026 com o mesmo mês do ano passado, que teve um índice de 46,6 pontos, a queda foi de 4,1 pontos, evidenciando a fragilidade do setor industrial. Essas informações fazem parte da Sondagem Industrial, divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
Capacidade Instalada e Emprego Industrial
O índice de utilização da capacidade instalada também não teve um desempenho positivo, permanecendo abaixo do nível considerado ideal, com 38,3 pontos em janeiro. Isso representa uma redução de 4,7 pontos em relação ao mesmo mês de 2025 e uma leve queda de 0,8 ponto em comparação com dezembro, indicando que as empresas estão operando com uma capacidade produtiva inferior ao padrão habitual.
O indicador de emprego industrial, por sua vez, ficou em 46,2 pontos em janeiro. Embora tenha havido um avanço de 2,1 pontos em relação a dezembro de 2025, houve uma diminuição de 2,1 pontos em relação ao início de 2025. Isso sinaliza uma redução no número de postos de trabalho na indústria em 2026.
Perspectivas para o Setor
De acordo com a economista da Fiemg, Daniela Muniz, a indústria começou o ano com um ritmo mais moderado, o que é típico após o período festivo. “O pico da produção industrial geralmente se estende até outubro, enquanto o comércio tende a concentrar as vendas mais significativas em novembro e dezembro”, explica. Muniz também ressalta que o desempenho de 2026 está inferior ao do mesmo período do ano anterior, o que indica um processo de desaquecimento econômico, influenciado por um crédito mais restritivo e uma diminuição no consumo.
Apesar dessa retração, os estoques de produtos finais apresentaram uma leve recuperação em janeiro, alcançando 50,6 pontos após cinco meses de quedas consecutivas. O indicador que mede os estoques efetivos em relação ao planejado ficou em 49,6 pontos, o que demonstra que os níveis ainda estão abaixo do que a indústria considera ideal.
Expectativas de Crescimento e Desafios Futuros
Muniz acredita que a gradual recomposição dos estoques pode estimular a produção nos próximos meses. “Estoques abaixo do planejado tendem a impulsionar a produção nos próximos seis meses”, afirma a economista. Embora o início de 2026 tenha sido fraco, há sinais de expectativa de crescimento moderado. O índice que mede a expectativa de demanda subiu para 52,7 pontos para fevereiro, superando a linha de 50 por dois meses seguidos, mas ainda é o menor valor de fevereiro dos últimos dez anos.
A expectativa de compra de matérias-primas chegou a 51,5 pontos, também acima da linha que indica expansão, enquanto a intenção de investimento atingiu 55,6 pontos, mesmo com uma diminuição em relação a janeiro e ao mesmo período de 2025.
Conforme mencionado pela Fiemg, o cenário ainda requer cautela. “Apesar das expectativas positivas, o crédito mais restritivo e os altos custos financeiros ainda afetam as decisões empresariais. Há sinais de melhora, mas de forma gradual”, conclui Daniela Muniz.
