Estrategizando para o Futuro da Inovação
Minas Gerais se destaca como um polo de inovação no Brasil, possuindo a maior quantidade de Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) do país e um orçamento considerável para o setor. O estado se prepara para investir mais de R$ 600 milhões até 2026, através da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), com o objetivo de estimular empresas de diversos tamanhos. Durante o painel “Desafios e Oportunidades para o Fomento a Projetos Inovadores”, realizado no Órbi ICT, representantes do governo e do ecossistema tecnológico discutiram como esses investimentos serão aplicados.
Lucas Mendes, subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação de Minas Gerais, apresentou uma análise detalhada das perspectivas para atrair novos investimentos. Mendes defende que a Reforma Tributária, que tende a minimizar a chamada “guerra fiscal” entre os estados, irá transformar o capital intelectual e a infraestrutura de pesquisa nos novos diferenciais competitivos.
Segundo ele, “Qual será o grande diferencial para os estados atraírem investimento? A formação de mão de obra qualificada, a geração de tecnologia e as oportunidades de inovação. O estado já se destaca pelos investimentos realizados nos últimos anos”.
Iniciativas Inovadoras para Atrair Investimentos
Para transformar essa promessa em realidade, o governo criou programas inovadores, como o Compete Minas e o Come to Minas. O segundo foca na atração de centros de Pesquisa e Desenvolvimento de empresas externas, assegurando que a mão de obra qualificada formada nas ICTs locais seja empregada. Essas iniciativas visam não apenas atrair investimentos, mas também solidificar o papel de Minas Gerais no cenário tecnológico nacional.
Flávio Belo, assessor da Fapemig, ressaltou que a fundação atualmente experimenta uma fase de “vacas gordas”, recebendo um repasse constitucional de 1% da receita corrente ordinária do estado. Em 2024, a Fapemig será responsável por 41% do total investido em Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) no estado, superando instituições federais como a Finep e o CNPq em Minas Gerais.
Belo trouxe à tona informações sobre os editais do primeiro semestre, destacando o SEED (Desenvolvimento do Ecossistema de Startups e Empreendedorismo), que promete descentralizar a política de aceleração para 12 mesorregiões. Isso permitirá que ambientes de inovação, como o Órbi ICT, gerenciem até R$ 100 mil por startup.
Compromisso com a Sustentabilidade e a Agilidade
Outra novidade é o edital Minas Pelo Clima, que busca abordar soluções tecnológicas para os desafios ambientais do estado. Belo enfatizou que o foco está na subvenção econômica, conhecida como “dinheiro a fundo perdido”, que não requer devolução, mas exige uma gestão pública rigorosa.
Uma das falas que mais ressoou com o público foi a promessa de simplificação dos processos. Reconhecendo as dificuldades históricas do sistema Everest, apelidado de “montanha difícil de ser escalada”, a fundação está migrando para uma plataforma mais amigável, chamada Evandro Mirra, que integrará o Cartão BB Pesquisa. “Queremos que o sistema seja o mais intuitivo possível”, afirmou Belo.
A Fapemig agora também permite um pré-cadastro simplificado de empresas e a análise da documentação posteriormente, evitando que projetos promissores sejam excluídos devido a falhas formais durante a inscrição.
Experiências Reais e Exemplos de Sucesso
Marcela Carvalho, CEO da IViJur, compartilhou sua experiência em utilizar Inteligência Artificial para facilitar o entendimento jurídico e destacou a importância dos editais na validação da sua tecnologia. “Startup, sejamos francos, caixa é fundamental. O edital deve ser parte da estratégia desde o início”, ressaltou Marcela.
Ela relatou como vencer um edital do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) proporcionou uma legitimidade que investimentos privados não poderiam oferecer: “Vencemos e a legitimidade de ter um terceiro endossando nosso produto é inestimável”. Além disso, ressaltou o apoio do Órbi ICT em ajudar a entender os custos ocultos e a linguagem técnica exigida durante as avaliações.
O Futuro da Indústria e Comércio em Minas Gerais
Lucas Mendes fechou o painel citando a história da Grantos Seguros, de Uberaba, que, após participar de vários editais desde 2022, expandiu seu quadro de funcionários de 12 para 120 e agora está estruturando sua própria ICT no parque tecnológico. Mendes enfatizou que o desafio é fazer com que outros setores, como a indústria e o comércio, imitem o agronegócio. “O agro já percebeu a inovação como investimento e não como custo. Precisamos que outros setores também tenham essa ousadia”, finalizou.
Durante o painel, mediado por Janayna Bhering, diretora de fomento à inovação do Órbi ICT, ficou claro que Minas Gerais não apenas disponibiliza capital, mas está dobrando a aposta na simplificação dos processos para garantir que os recursos cheguem efetivamente à economia real.
