São Paulo como Centro de Inovação
André Gontijo, engenheiro da NASA, é um dos destaques do São Paulo Innovation Week (SPIW), um festival focado em tecnologia, inovação e negócios que ocorrerá em maio na capital paulista. O evento, realizado em parceria com a Base Eventos e promovido pelo Estadão, espera atrair cerca de 90 mil visitantes. A programação se concentrará em palestras com renomados especialistas internacionais e nacionais, além de debates e atividades musicais, tudo isso em locais icônicos como a Mercado Livre Arena Pacaembu e a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).
Os interessados podem garantir seu passaporte para os três dias do evento com um desconto de R$ 594 até o dia 1.º de março, quando iniciará a venda de lotes a preços normais.
Potencial Brasileiro em Tecnologias de Ponta
Durante uma entrevista ao Estadão, Gontijo explorou o imenso potencial de São Paulo e do Brasil na aplicação de soluções tecnológicas em problemas locais. O engenheiro enfatizou a importância do aprendizado através do erro e a necessidade de aceitar riscos para promover a inovação. Ele afirmou, “os cientistas brasileiros não ficam a dever nada a ninguém, brilham em qualquer lugar que vão”.
Em sua fala, Gontijo detalhou o processo de desenvolvimento de um rover, um dos veículos enviados a Marte, que leva cerca de dez anos para ser finalizado após a aprovação e liberação de recursos. “São projetos longos que precisam de um financiamento sustentado ao longo do tempo, senão o projeto para”, explicou.
Importância da Preparação e Parcerias
“A mecânica celeste não espera por ninguém”, destacou o engenheiro, ao comentar sobre a necessidade de estar sempre pronto para lançamentos, que acontecem a cada 26 meses. Ele enfatizou que uma equipe técnica de alto nível é fundamental para o sucesso das missões.
Gontijo também ressaltou a importância das parcerias, tanto com empresas quanto com outros países. Ele citou a missão Mars 2020, que contou com colaborações da França, Espanha, Noruega e Dinamarca. Embora a NASA tenha enfrentado falhas em duas missões em 1999, Gontijo acredita que aceitar riscos é crucial para qualquer inovação.
A Aceitação do Risco na Inovação
“As empresas precisam entender que todo investimento tem risco. Quem não aceita risco, já sabe qual será o resultado: nada vai acontecer”, afirmou. Ele enfatizou que, em todos os projetos, é essencial apresentar os riscos envolvidos. “Se alguém perguntar sobre os riscos e você disser que não tem nenhum, vão rir de você”, disse Gontijo, ressaltando a necessidade de trabalhar em projetos audaciosos.
“Precisamos sempre propor inovações que levem ao progresso da ciência, mesmo que isso envolva riscos”, acrescentou. Para Gontijo, cada pessoa que atua na ciência ou tecnologia deve aproveitar oportunidades para compartilhar seu entusiasmo, contribuindo para que mais jovens se interessem por carreiras científicas.
A Importância da Divulgação Científica
Ele destacou dois pontos fundamentais: o primeiro é a transparência sobre como o contribuinte está financiando as pesquisas, o que justifica a necessidade de informá-los sobre o progresso. O segundo é a promoção do interesse juvenil pela ciência, que pode inspirar futuras gerações a seguir carreiras em áreas tecnológicas e científicas.
Transformando Conhecimento em Produtos
Gontijo acredita que transformar conhecimento acadêmico em produtos é um desafio global, não apenas do Brasil. Ele elogiou a capacidade do país de produzir ciência de ponta, mencionando a Embrapa e a Embraer como exemplos de excelência. “O conhecimento gerado nas universidades brasileiras não fica a dever nada a ninguém”, afirmou.
Inovações do Brasil para o Mundo
O engenheiro enfatizou a necessidade de investimento constante e de vontade para transformar pesquisas acadêmicas em produtos. Embora o Brasil tenha feito progressos significativos, ele acredita que o potencial do país ainda não foi totalmente explorado.
“São Paulo, de certa forma, é a nossa Califórnia na inovação e no desenvolvimento tecnológico”, concluiu Gontijo, destacando lugares como São José dos Campos e Campinas, que estão na vanguarda tecnológica. Ele mencionou ainda inovações como o uso de técnicas ópticas para estudar rochas em Marte que também são aplicáveis à análise de solo na agricultura brasileira.
Recentemente, Gontijo visitou o Instituto de Física da USP em São Carlos, onde conheceu um estudante que desenvolveu um protótipo usando tecnologia de espectroscopia para análise de café. Essas inovações, segundo Gontijo, são fundamentais para resolver problemas locais e devem ser apoiadas por uma maior colaboração entre universidades e empresas.
