O Legado do Instituto de Laticínios Cândido Tostes
O Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT), localizado em Juiz de Fora, recentemente celebrou seu 90º aniversário, consolidando-se como a primeira escola de laticínios da América Latina. A história do instituto é marcada pela inovação, sendo responsável pela produção de até 40 mil litros de leite e pela criação de produtos icônicos como a bebida láctea Toddynho e o primeiro leite de cabra em pó do Brasil. Para celebrar o Dia Mundial do Queijo, a Secretaria de Turismo da Prefeitura de Juiz de Fora promoveu o projeto “Caminhando pela história”, que ofereceu ao público a oportunidade de conhecer as etapas de produção e os processos de fabricação dentro da fábrica-escola. Essa iniciativa destaca a importância do ILCT na valorização da tradição queijeira na região.
O ILCT é reconhecido pela produção de queijos, manteigas, iogurtes, sorvetes, requeijão e doces de leite. Atualmente vinculado à Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), o instituto possui um maquinário moderno que realiza todas as etapas da produção, desde a recepção e análise do leite, até a pasteurização e transformação em derivados. A professora e pesquisadora Kely de Paula Correa, que guiou as visitas, ressaltou que, enquanto no passado a ênfase estava na comercialização dos produtos, hoje o foco está nas pesquisas e no ensino, que ocupam uma parte significativa do trabalho do instituto. “Nossa principal contribuição é oferecer treinamentos aos produtores, desenvolver projetos e publicar pesquisas que promovam esse reconhecimento”, afirma Kely.
A Interconexão entre Tradição e Inovação
Como pioneiro no ensino de laticínios, o ILCT enfrenta o desafio de equilibrar processos tradicionais de fabricação com as inovações tecnológicas que visam otimizar a produção. Kely acredita que o instituto serve como uma ponte entre esses dois universos. “Várias contribuições foram feitas para o avanço da produção de queijos, tanto em Minas Gerais quanto no Brasil. Somos uma referência em produção leiteira, indústrias queijeiras e queijos artesanais”, explica. Em um momento em que o queijo minas artesanal foi reconhecido como patrimônio imaterial da humanidade, essa função se torna ainda mais relevante, uma vez que esses produtos são parte essencial da identidade cultural brasileira.
Esse diálogo entre tradição e inovação também se manifesta através de cartilhas, treinamentos e projetos de extensão em comunidades e empresas, onde os profissionais do ILCT oferecem suporte aos produtores. “Esses esforços são fundamentais para manter padrões de segurança sanitária”, aponta Kely. Além disso, a formação de profissionais para atuar em diversas regiões do Brasil e até no exterior é um diferencial que assegura a relevância do instituto. Desde 2022, o ILCT passou a oferecer apenas cursos de ensino superior, abandonando a modalidade técnica, refletindo seu compromisso com um projeto pedagógico que almeja a integração do conhecimento teórico e prático.
Pesquisa e Inovação no Setor Laticinista
Recente pesquisa e desenvolvimento tecnológico são pilares do ILCT, conforme afirma Kely. Neste momento, o instituto se dedica a estudos nas áreas de microbiologia, tecnologia, fisicoquímica e controle sanitário, com impactos que extrapolam os muros da fábrica-escola. Um exemplo é um refrigerante em fase de patenteamento, que utiliza soro e leite, e que está sendo desenvolvido como um produto enriquecido com luteína, um antioxidante que protege a visão e a pele, além de prevenir doenças cardiovasculares.
Estudos também mostram como o soro de leite pode virar whey protein, dado seu alto valor biológico em proteína. O aproveitamento desse subproduto gerou um crescimento significativo na economia, com o consumo de proteína de soro aumentando 25% entre 2021 e 2023. O mercado sul-americano já representa 60% do consumo total dessa proteína e prevê um crescimento anual de 8% entre 2024 e 2029, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD) e Mordor Intelligence.
Juiz de Fora em Evidência pela Cultura Queijeira
Entender a história do Instituto de Laticínios Cândido Tostes fortalece os laços da população de Juiz de Fora com essa importante instituição. O turismo voltado para o queijo, que vem ganhando destaque em todo o estado, é um reflexo das investigações realizadas em parceria com a Epamig sobre os queijos regionais. A partir desses estudos, o ILCT começou a oferecer experiências que permitem aos visitantes conhecer o processo de produção dos queijos, reconhecendo suas peculiaridades. Essas ações também se manifestam nos eventos e cursos promovidos pelo instituto, como o Minas Láctea, que reúne empresas de todo o Brasil e organiza um concurso nacional de produtos lácteos.
