A Restauração da Mata Atlântica em Foco
O Instituto Terra é uma das instituições que se destacam na recuperação da Mata Atlântica, já tendo restaurado mais de 600 hectares por meio de tecnologia e parcerias estratégicas. À frente dessa iniciativa está Carol Sampaio, responsável pelo desenvolvimento institucional e captação de recursos, que busca unir forças com empresas, doadores e fundações. Ela compara o trabalho do instituto à ambiciosa restauração da Capela Sistina, enfatizando que a resolução do problema requer a colaboração de múltiplos setores.
“Não se pode contar apenas com uma organização ou um setor para resolver essa questão”, afirma Sampaio, referindo-se à meta do Brasil de restaurar 12 milhões de hectares até 2030. Em sua participação no São Paulo Innovation Week, que ocorrerá entre os dias 13 e 15 de maio, no Pacaembu e na Faap, ela destacou a importância da união de esforços para alcançar tais objetivos.
Compromisso com a Sustentabilidade
Sampaio sublinha que é crucial identificar empresas e instituições que realmente se comprometem com a implementação das práticas de ESG (Ambiental, Social e Governança). A executiva acredita que quanto mais engajadas essas entidades estiverem na transformação ambiental, maiores serão as chances de sucesso nas parcerias.
“Temos uma equipe dedicada a identificar potenciais parceiros que compartilhem de nossos objetivos no Instituto Terra. No entanto, não descartamos ninguém; conversamos com todos e, se encontrarmos um propósito em comum, a parceria se concretiza”, afirma Carol.
Ela destaca que o desafio da restauração é grande e que o Instituto Terra atua não só em suas próprias áreas, mas também nas propriedades vizinhas. Isso é fundamental, pois a restauração exige recursos, e é essencial que os direitos das pessoas envolvidas no processo sejam respeitados.
Iniciativas e Linhas de Ação
Integrante do grupo Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, Sampaio ressalta que as principais discussões giram em torno do custo social necessário para alcançar as metas de recuperação. Apesar de a maioria das parcerias atuais serem internacionais, há uma crescente participação de empresas e do setor público brasileiro que buscam contribuir para a restauração.
O Instituto Terra trabalha em três frentes principais: a restauração ecossistêmica, a educação ambiental e o desenvolvimento rural sustentável. No que se refere à restauração, a equipe coleta sementes, produz mudas e realiza o plantio, sempre respeitando a biodiversidade local.
No campo da educação ambiental, o instituto desenvolve projetos que envolvem crianças e jovens em atividades práticas, além de preparar egressos do Ensino Médio Técnico para oportunidades no mercado de trabalho, enfatizando a importância da biodiversidade e da preservação ambiental.
A terceira linha de trabalho se concentra na agricultura sustentável, com o programa Terra Doce, que apoia pequenos e médios produtores a integrar a floresta em suas práticas agrícolas. Isso visa não apenas aumentar a biodiversidade, mas também melhorar a cadeia produtiva de alimentos.
Inovação e Tecnologia para a Sustentabilidade
O Instituto Terra está sempre em busca de inovações tecnológicas. Atualmente, utilizam ferramentas de geoprocessamento e estão desenvolvendo uma parceria que implementará inteligência artificial para otimizar a irrigação no viveiro de mudas, que possui capacidade para 500 mil mudas e está sendo ampliado para 2 milhões.
“O nosso objetivo maior é trazer a chuva de volta à região”, destaca Juliano Salgado, presidente do conselho do Instituto Terra, ao falar sobre os desafios enfrentados, como a redução do volume de chuvas na Bacia do Rio Doce. Ele enfatiza a necessidade de diálogo com as autoridades locais para avançar em projetos de restauração, especialmente em São Paulo, onde o crescimento urbano apresenta desafios adicionais.
A Serra do Mar, por exemplo, é um local que abriga projetos significativos de conservação, e há um potencial imenso a ser explorado em todo o estado de São Paulo para melhorar a recuperação das áreas degradadas. O trabalho do Instituto Terra, portanto, é um exemplo de como a inovação e a colaboração podem levar a resultados positivos na luta contra a degradação ambiental.
