Medicamentos Emagrecedores e suas Interações
O uso de medicamentos agonistas do GLP-1, como a semaglutida e a liraglutida, pode impactar a absorção de medicamentos orais, incluindo anticoncepcionais, analgésicos e anticoagulantes. A questão ganhou destaque nas redes sociais após a ex-BBB Laís Caldas revelar que engravidou enquanto utilizava Mounjaro, uma caneta emagrecedora, em combinação com anticoncepcionais. Especialistas alertam para a importância de compreender as potenciais interações entre essas medicações.
Os agonistas do GLP-1, utilizados para o controle de peso, atuam diminuindo a velocidade de esvaziamento gástrico. Isso significa que as medicações ingeridas podem demorar mais para serem absorvidas, o que pode atrasar o início de sua ação. Eduardo Lima, cardiologista e professor da Faculdade de Medicina da USP, reforça que esse atraso pode ser relevante, especialmente para medicamentos que precisam de efeito rápido, como é o caso de alguns anticoncepcionais e analgésicos.
Embora a absorção total dos medicamentos não seja necessariamente comprometida, a velocidade com que eles começam a atuar pode ser impactada. Isso é especialmente preocupante para tratamentos que dependem de eficácia imediata, como os contraceptivos. Para medicamentos de uso contínuo, como antidepressivos, o impacto tende a ser menor, já que o paciente ainda está sob efeito da dose anterior.
Estudos e Recomendações
Pesquisas indicam que a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, pode reduzir a concentração máxima de medicamentos em até 50%. Em um estudo, a concentração do paracetamol foi afetada, mostrando que a absorção é significativamente retardada. Isso levanta a preocupação de que mulheres em uso de anticoncepcionais, que já têm um tempo de ação previsto, possam ter sua segurança reavaliada durante os primeiros dias de uso da tirzepatida.
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) recomenda que mulheres que utilizam esses agonistas do GLP-1 considerem métodos contraceptivos alternativos, como DIUs ou métodos de barreira, para garantir a eficácia na prevenção de gestações indesejadas. No caso da semaglutida, a orientação é que o anticoncepcional oral possa ser mantido, mas sempre com acompanhamento médico.
Ilza Maria Monteiro, presidente da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da Febrasgo, enfatiza que estudos não encontraram interações significativas entre semaglutida e contraceptivos orais, porém, observa-se uma redução clinicamente relevante nas concentrações dos hormônios contraceptivos com a tirzepatida.
Considerações Finais
Além das interações com anticoncepcionais, o uso de medicamentos emagrecedores pode gerar efeitos adversos como náuseas e diarreia, que também podem impactar a eficácia de outros medicamentos orais. Portanto, é vital que consumidores e profissionais de saúde estejam cientes dessas interações e ajustem os tratamentos conforme necessário.
O diálogo entre pacientes e médicos é fundamental para garantir que o uso de agonistas do GLP-1 não comprometa o tratamento de outras condições. A conscientização sobre essas interações pode servir como um alerta importante para a saúde e a segurança das mulheres que utilizam essas medicações.
