Conflito entre CRO-MG e CFO: A disputa se intensifica
A disputa política dentro do Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais (CRO-MG) tem gerado um clima tenso entre a administração atual e o Conselho Federal de Odontologia (CFO), especialmente após as eleições de dezembro. O presidente reeleito, Raphael Castro Mota, relatou que sua posse foi impedida devido à intervenção do CFO. Mota, que venceu a eleição com quase 50% dos votos no primeiro turno e mais de 60% no segundo, acredita que o atraso na homologação do resultado foi uma manobra política.
“O CFO atrasou todo o processo e marcou o processo eleitoral tardiamente, para o fim de dezembro. Mesmo assim, nós vencemos no primeiro turno, com quase 50% dos votos. No segundo, enfrentamos as outras três chapas, que se uniram, e conquistamos mais de 60%. O CFO, no entanto, esperou até o dia 31 de dezembro para não homologar o resultado”, declarou Mota, em um claro descontentamento com a situação.
O presidente reeleito enfatiza que a nomeação de uma comissão provisória para gerir o conselho mineiro foi uma tentativa de tomar posse sem respeitar a vontade dos dentistas. “Isso ocorreu não por uma questão técnica, mas por motivos políticos. Essa diretoria provisória é formada por pessoas ligadas à chapa que foi derrotada. Isso é um desrespeito à vontade dos dentistas”, acrescentou Mota, ressaltando que sua chapa recebeu cerca de 12 mil votos durante as eleições.
Motivos políticos ou técnicos? A polêmica continua
De acordo com Mota, a decisão do CFO de não homologar os resultados das eleições foi influenciada por conselheiros federais que assumiram seus cargos de maneira questionável. Ele cita um histórico de conflitos entre o CRO-MG e o CFO, que, segundo ele, remonta a 2024, quando o conselho estadual sofreu uma intervenção do órgão federal.
“A Justiça, na ocasião, reconheceu a medida como arbitrária e abusiva. Ficou clara a briga política entre o CFO e o CRO-MG. Tanto que só reassumimos o cargo em julho de 2025, após uma decisão judicial”, revelou o presidente, que se mostra preocupado com a continuidade dessa tensão política, que pode afetar a gestão e os profissionais da odontologia em Minas Gerais.
A situação gerou expectativa sobre a reação do CFO. A reportagem entrou em contato com o conselho federal para obter um posicionamento sobre as acusações feitas por Mota, mas até o momento, não houve retorno. A ausência de uma resposta pode indicar uma tentativa de minimizar o conflito, mas também levanta questões sobre a transparência das ações do CFO.
À medida que o impasse se arrasta, muitos dentistas de Minas Gerais aguardam um desfecho que traga estabilidade ao conselho. As eleições e sua homologação não são apenas uma formalidade; refletem a vontade e a confiança dos profissionais na gestão que os representa. A legitimidade do CRO-MG é essencial para garantir a integridade da profissão e a defesa dos interesses dos dentistas no estado.
Próximos passos: O que esperar da situação?
A expectativa agora recai sobre o CRO-MG e a resposta do Conselho Federal. Mota e sua equipe estão determinados a garantir que a vontade dos dentistas seja respeitada e que a gestão do conselho se mantenha alinhada com os interesses da categoria. O cenário é incerto, mas a mobilização dos profissionais da odontologia em Minas Gerais pode ser um fator decisivo para o desfecho dessa disputa política.
