Ação Legal em Curso
Na manhã desta terça-feira (3), os escritórios da plataforma X, localizada na França, foram alvo de buscas por parte das autoridades, conforme informações do Ministério Público francês. Essa ação faz parte de uma investigação preliminar que investiga uma série de supostos crimes relacionados à disseminação de pornografia infantil e deepfakes. O órgão judicial francês solicitou esclarecimentos de Elon Musk, CEO da X, e de Linda Yaccarino, ex-CEO da empresa, acerca do uso da plataforma para tais atividades.
Os procuradores franceses destacaram que intimações foram emitidas para que Musk e Yaccarino compareçam a depoimentos voluntários agendados para o dia 20 de abril de 2026. A notificação foi uma medida considerada necessária por parte do Ministério Público, que busca entender o papel dos gestores da plataforma durante o período em que os crimes teriam ocorrido. Yaccarino deixou o cargo de CEO em julho do ano passado, após uma gestão de dois anos.
Detalhes da Investigação
A investigação teve início em janeiro do ano passado, quando o Ministério Público francês instaurou um inquérito com foco em crimes cibernéticos. O objetivo do trabalho investigativo é apurar a possível “cumplicidade” na manutenção e na disseminação de imagens pornográficas de menores, além de deepfakes de conteúdo sexualmente explícito. Os procuradores também estão investigando a negação de crimes contra a humanidade e o uso indevido de um sistema automatizado de processamento de dados dentro de um grupo organizado, entre outras infrações.
Além de Musk e Yaccarino, outros funcionários da plataforma X foram intimados para comparecer como testemunhas no mesmo período em abril. O comunicado do Ministério Público não forneceu detalhes adicionais sobre a identidade dos colaboradores convocados.
Reação da Plataforma X
Um porta-voz da X não se manifestou imediatamente sobre o pedido de esclarecimentos realizado pelas autoridades. Entretanto, a situação gerou um certo alvoroço nas redes sociais, especialmente entre os usuários que estão acompanhando a evolução do caso.
Em um comunicado postado na própria plataforma X, o Ministério Público de Paris confirmou as buscas e aproveitou para informar que o órgão estava deixando a plataforma, enquanto convidava os seguidores a acompanhá-los em outras redes sociais. “Neste estágio, a condução da investigação baseia-se em uma abordagem construtiva, com o objetivo final de garantir que a plataforma X cumpra a legislação francesa, já que opera em território nacional”, afirmaram os promotores.
A Expansão da Investigação
A investigação foi inicialmente motivada por denúncias feitas por um parlamentar francês, que levantou preocupações sobre algoritmos enviesados da plataforma X. Segundo ele, esses algoritmos poderiam ter distorcido a eficácia de um sistema automatizado de processamento de dados. Com o avanço das apurações, o inquérito foi ampliado após alegações de que o chatbot de inteligência artificial do X, Grok, teria negado o Holocausto e promovido a disseminação de deepfakes sexualmente explícitos.
As circunstâncias que cercam essa investigação refletem um contexto mais abrangente sobre o controle e a regulamentação das plataformas digitais em relação ao conteúdo ilícito. Especialistas apontam que ações como essa são essenciais para garantir a segurança dos usuários e a conformidade com as legislações locais.
