Investimentos Estratégicos da UE na Mineração Brasileira
A União Europeia (UE) anunciou um investimento estratégico em cinco mineradoras no Brasil, com a formalização do aporte programada para março. As iniciativas, que abrangem as regiões Nordeste e Sudeste, foram articuladas pela ApexBrasil, em colaboração com a Comissão Europeia, visando garantir o fornecimento de minerais essenciais para tecnologias avançadas e a transição energética. Entre os minerais focados estão terras raras, grafite e lítio, que são cruciais para o desenvolvimento de inovações sustentáveis.
O anúncio é resultado de negociações que tiveram início em 2025, durante a Raw Materials Week, realizada na Bélgica. Das 14 propostas apresentadas, que totalizam R$ 7 bilhões em necessidade de capital, cinco projetos foram priorizados pela diretoria de negócios da ApexBrasil. Desses, três estão localizados no Sudeste, predominantemente em Minas Gerais, enquanto dois estão no Nordeste, nas regiões da Bahia e Piauí.
Expectativas e Viabilidade dos Projetos
De acordo com a ApexBrasil, a expectativa é que esses projetos alcancem a fase de produção e comecem a exportar para a Europa em um tempo recorde de dois a três anos. Para tornar essa meta possível, estão sendo elaborados mecanismos de financiamento e garantias, com envolvimento do BNDES e agências internacionais de crédito.
Entre as empresas selecionadas, destaca-se a Viridis Mining & Minerals, uma mineradora australiana que está desenvolvendo um projeto de terras raras em Minas Gerais, situado sobre a estrutura geológica de um antigo vulcão. Este projeto já captou atenção global, com promessas de apoio financeiro da Austrália, totalizando US$ 50 milhões, Canadá com US$ 100 milhões e França.
Outros Projetos em Destaque e Impulso dos Investimentos
Embora os nomes das quatro outras mineradoras ainda não tenham sido divulgados, o mercado especula que se tratam de projetos públicos previamente apresentados ao bloco europeu. Na Bahia, são notáveis as iniciativas focadas em grafite, como as da G4 Esmeralda e BGC, além de projetos voltados para níquel e cobalto pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) e sílica pela Homerun Resources. Já em Minas Gerais, os projetos também abarcam a extração de terras raras e nióbio, sendo conduzidos por Meteoric Resources, Graphcoa e St. George Mining.
O crescente interesse e os investimentos na mineração brasileira são reforçados pela recente aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia, que se configura como um passo importante para a integração econômica e comercial entre as regiões.
