Indústria Mineira em Destaque
A atração de investimentos para o setor industrial representa uma das principais estratégias para o dinamismo da economia em Minas Gerais. Bruno Carazza, professor associado da Fundação Dom Cabral (FDC) e colunista do Valor Econômico, ressalta que a contribuição da indústria para Minas é superior à média nacional, representando cerca de 30% do total, em comparação com 21% em todo o Brasil. Esse destaque se deve à força da mineração, siderurgia e do setor automotivo, que juntos impulsionam a economia do Estado, responsável por 8,9% do PIB nacional.
Rodrigo Tavares, presidente da Invest Minas, a agência estadual de promoção de investimentos, enfatiza que alguns segmentos possuem grande potencial de crescimento, como as energias renováveis, mineração, tecnologia da informação, empreendimentos imobiliários e produção de fertilizantes. “Cadeias produtivas relacionadas à transição energética, como biocombustíveis, bioenergia e transportes, devem apresentar boas oportunidades, além de minerais críticos”, afirma Tavares.
No ano de 2025, Minas Gerais atraiu R$ 65,3 bilhões em investimentos privados, uma leve queda em relação aos R$ 70,3 bilhões de 2024. Em 2024, foram anunciados 262 projetos de investimento em 134 municípios, com expectativa de gerar 54,8 mil postos de trabalho diretos, segundo dados do governo estadual.
O Papel das Energias Renováveis
A geração de energia solar destaca-se como um dos setores mais atraentes em termos de investimentos. A Atlas Renewable Energy, por exemplo, já aplicou R$ 10 bilhões em cinco complexos solares em Minas Gerais. Recentemente, a empresa recebeu um financiamento de R$ 1 bilhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a construção de 11 usinas fotovoltaicas em Arinos, no Complexo Solar Draco, totalizando uma potência instalada de 409 megawatts (MW) e 543 MW incorporados ao sistema.
“Minas continua sendo um Estado estratégico para investimentos em energia renovável, mas enfrentamos desafios significativos em relação à infraestrutura de transmissão e ao escoamento da energia gerada. Essas questões, que têm caráter federal, afetam diretamente a integração de novos projetos ao sistema e a previsibilidade para a operação dos empreendimentos”, destaca Fabio Boroluzo, presidente da Atlas Renewable Energy no Brasil.
Minerais Estratégicos e Investimentos Estrangeiros
O potencial de Minas Gerais para minerais estratégicos e terras raras, essenciais para a transição energética, é considerado expressivo, apresentando-se como uma nova frente de negócios. A St. George, companhia australiana, planeja investir até US$ 350 milhões no projeto de mineração de nióbio e terras raras em Araxá, com previsão de operação em 2028 para o nióbio e 2029 para as terras raras.
Empresas consolidadas na economia local também estão ampliando seus investimentos. A Vale, por exemplo, anunciou um aporte de R$ 67 bilhões em Minas até 2030, com foco em processos produtivos mais seguros e sustentáveis, priorizando a redução do uso de barragens e a diminuição da emissão de carbono. “Estamos avançando na redução do uso de barragens, adotando tecnologias de filtragem e compactação de rejeitos, o que minimiza riscos. Monitoramos continuamente nossas estruturas com tecnologia e equipes especializadas”, afirma Rafael Bittar, vice-presidente técnico da mineradora.
Desafios na Formação de Mão de Obra e Infraestrutura
No setor de siderurgia, a Usiminas planeja investir R$ 3,5 bilhões nos próximos anos, principalmente na unidade de Ipatinga. O investimento inclui a construção de um novo gasômetro e dois projetos de modernização. “Buscamos aumentar nossa eficiência operacional e garantir a competitividade em um mercado global desafiador”, afirma Marcelo Chara, presidente da Usiminas.
A atratividade de investimentos em setores tecnológicos é afetada por diversos fatores, observa João Gabriel Pio, economista-chefe da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). Ele destaca a importância da formação de mão de obra qualificada e a promoção de segurança jurídica e previsibilidade regulatória, além da necessidade de infraestrutura adequada para garantir energia confiável e logística eficiente.
Projeções para o Futuro do Agronegócio
O agronegócio, um dos pilares da economia mineira, passa também por um processo de diversificação. Minas se destaca como um dos maiores produtores de laranja e avança na produção de cacau e café conilon. “A diversidade da agricultura mineira é uma grande vantagem”, afirma Antônio Pitangui de Salvo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg).
A McCain anunciou um investimento de R$ 1,8 bilhão para expandir sua capacidade produtiva em Araxá, evidenciando a atratividade do Estado para o agronegócio. “Minas oferece proximidade com matérias-primas de alta qualidade, essencial para nossa produção”, destaca Aluízio Periquito Neto, diretor-geral do grupo McCain Brasil.
Para 2026, a Faemg projeta um crescimento acima de 10% para o agronegócio mineiro, apesar dos desafios que incluem juros altos para crédito rural e a falta de seguros agrícolas subsidiados. “Esperamos uma boa safra, mas com margens apertadas”, conclui Salvo.
