Nome de Josué Gomes Ganha Destaque nas Articulações Políticas
Com a dificuldade do Partido dos Trabalhadores (PT) e de outras siglas de esquerda em definir um candidato para o Governo de Minas Gerais, o nome de Josué Gomes da Silva, filho do ex-vice-presidente José Alencar, surgiu como uma opção viável para a disputa. Ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e chefe do grupo têxtil Coteminas, Josué é natural de Ubá, na Zona da Mata mineira. Seu pai, José Alencar, foi vice-presidente durante os dois primeiros mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Com 62 anos, Josué já teve experiência em candidaturas majoritárias, tendo concorrido ao Senado pelo MDB em 2014, onde obteve 40% dos votos, ficando em segundo lugar em uma eleição que contava apenas com uma vaga. Recentemente, fontes ligadas ao PT mineiro confirmaram que seu nome tem sido considerado, embora não haja planos de filiação ao partido de Lula.
Em resposta às especulações sobre sua possível candidatura, Josué comentou à Folha que este tipo de movimentação é natural e que Minas Gerais conta com vários nomes e lideranças expressivas que podem se destacar.
Segundo a apuração, a articulação em torno de Josué Gomes teve início com Virgílio Guimarães, ex-deputado mineiro e um dos fundadores do PT, conhecido por sua proximidade com a família Alencar. ‘É uma pessoa que merece ser lembrada nas articulações’, afirmou Virgílio, ressaltando que até o momento Josué não tomou iniciativas concretas a respeito de sua candidatura.
Desafios e Opções para o PT em Minas
Virgílio Guimarães, que atualmente exerce a função de assessor do ministro Alexandre Silveira (PSD) na pasta de Minas e Energia, destacou que o nome de Josué tem sido mencionado após duas vitórias importantes: a conclusão de sua gestão na Fiesp, programada para 2025, e a aprovação dos credores ao plano de recuperação judicial da Coteminas, que envolve uma reestruturação das dívidas da empresa, totalizando R$ 2 bilhões.
O PT pressiona para encontrar um candidato viável para a corrida ao governo estadual, especialmente para garantir um palanque para a reeleição de Lula. O presidente já declarou que seu candidato preferido é o senador Rodrigo Pacheco (PSD), mas os sinais de hesitação por parte do parlamentar nos últimos meses levaram os lulistas a buscarem alternativas no estado.
Além de Josué Gomes, outros nomes estão sendo cogitados. O presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB), já declarou que não pretende se candidatar a cargo majoritário neste ano. Outras possibilidades incluem a reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sandra Goulart, o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares e a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, que reafirmou sua intenção de permanecer em seu cargo atual.
Implicações da Política Local para o Futuro da Candidatura
O ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), também é mencionado, mas suas relações com algumas lideranças locais se tornaram tensas desde a eleição de 2022, quando foi apoiado por Lula e perdeu para o atual governador Romeu Zema (Novo). A prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), que foi cogitada para a disputa ao Palácio Tiradentes, agora se apresenta como pré-candidata ao Senado, em uma chapa que pode incluir o ministro Alexandre Silveira.
Silveira, um aliado antigo de Lula, pode deixar o PT, especialmente agora que o PSD filiou o vice-governador Mateus Simões, que se declara candidato ao governo estadual. A situação política em Minas se complica ainda mais com a presença do ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB), e a indecisão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) sobre sua participação na disputa.
