Presidente Lula em Foco
No último dia 27 de fevereiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poupou críticas ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Durante sua participação na 6ª Conferência Nacional das Cidades, realizada no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), Lula cobrou explicações sobre a ausência de projetos que garantissem o uso de R$ 3,5 bilhões do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) destinados ao estado mineiro. O presidente lançou mão do ministro das Cidades, Jader Filho, para direcionar as indagações ao governador.
“Nós colocamos R$ 3,5 bilhões (do PAC) para Minas Gerais. O que o governador tinha de fazer?”, questionou Lula. O ministro, em resposta, ressaltou que a obrigação do governador era apresentar um projeto e a documentação necessária para a contratação das obras, o que, segundo Jader, não ocorreu até o momento. Essa situação gera preocupações, visto que os recursos poderiam ser utilizados para importantes obras em Minas Gerais, especialmente em um ano eleitoral.
Consequências Políticas e Sociais
Lula enfatizou que esses fundos visavam financiar obras do PAC, essenciais para o desenvolvimento da infraestrutura no estado. O governador Zema, figura em ascensão e cogitado como possível vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), enfrenta críticas não apenas do presidente, mas também da opinião pública. A política em Minas Gerais, um dos estados mais relevantes do país para as eleições, se torna ainda mais tensa com essa troca de farpas.
Após as críticas à gestão de Zema, o presidente Lula anunciou uma visita a Juiz de Fora, programada para o dia 28 de fevereiro, onde pretende dialogar com famílias afetadas pelas enxurradas que atingem a Zona da Mata mineira. “Eu vou fazer uma visita, e vou conversar com os prefeitos das cidades (afetadas pelas chuvas)”, afirmou o presidente, destacando a importância de estar presente e ouvir as demandas da população local. Esta será a segunda vez que Lula visita a região em um curto espaço de tempo.
Ações do Governo Federal
O governo federal, em resposta aos estragos causados pelas chuvas, tem adotado diversas medidas para auxiliar a população e os prefeitos na recuperação das cidades afetadas. Nesta semana, ministros realizaram visitas às áreas devastadas, e o vice-presidente, Geraldo Alckmin, anunciou a liberação de R$ 800 para cada membro das famílias desabrigadas. Esses valores serão repassados aos municípios, que ficarão responsáveis por identificar os desabrigados e aplicar os recursos na compra de produtos essenciais para a sobrevivência.
Além dos recursos mencionados, o governo também antecipou benefícios como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para os beneficiários afetados pelas intempéries. Essas ações visam minimizar os impactos sociais e econômicos que a situação climática trouxe para a população mineira.
O Cenário Eleitoral em Minas Gerais
A visita de Lula a Minas Gerais, além de um gesto de solidariedade, também se insere em um contexto eleitoral conturbado. O petista se depara com incertezas sobre quem será o seu candidato ao governo mineiro nas eleições de outubro. O nome mais cogitado é o do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Senado e aliado de Lula, que ainda não se manifestou oficialmente sobre a possibilidade de concorrer ao cargo.
Apesar das especulações, aliados de Pacheco afirmam que ele continua dialogando com o presidente Lula e sua equipe, tentando entender as melhores estratégias para o pleito deste ano. Por outro lado, a situação pode ser complicada pelo fato de que Pacheco é correligionário do vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), o que adiciona uma camada de complexidade à já agitada disputa política.
