Presidente Lula e seu posicionamento sobre as provocações de Trump
Durante uma cerimônia no Instituto Butantan em São Paulo, Luiz Inácio Lula da Silva fez uma declaração bem-humorada em resposta às provocações do ex-presidente dos EUA, Donald Trump. Ele comentou sobre a ‘sanguinidade de Lampião’, o famoso cangaceiro nordestino, sugerindo que se Trump tivesse esse conhecimento, provavelmente não faria tais provocações.
Lula, que demonstrou um tom leve na fala, destacou que sua intenção não é entrar em brigas, especialmente por conta dos riscos que isso poderia representar para o Brasil. ‘Eu não quero briga com ele, não sou doido. Vai que eu brigo e eu ganho, o que eu vou fazer?’, questionou. O presidente reforçou que a luta do Brasil é pela construção de uma narrativa voltada para o multilateralismo no cenário internacional.
O discurso de Lula também ressaltou que o multilateralismo é fundamental para a paz mundial e que é necessário que o Brasil desempenhe um papel ativo nessa construção. ‘Nós queremos mostrar que o mundo não pode prescindir do multilateralismo’, afirmou, apresentando sua visão sobre a importância da colaboração entre países.
Visita ao Instituto Butantan e investimentos na saúde
Na mesma ocasião, Lula anunciou um significativo investimento de R$ 1,4 bilhão para ampliar a infraestrutura do Instituto Butantan. O objetivo é aumentar a capacidade do local para a produção de vacinas e insumos imunobiológicos, incluindo o insumo farmacêutico ativo (IFA) utilizado na fabricação de vacinas como a DTPa (difteria, tétano e coqueluche) e a vacina contra o HPV.
Este movimento visa reduzir a dependência de importações e fortalecer a produção nacional de imunizantes. Com essa ação, o governo busca não só garantir a saúde da população, mas também criar uma imagem de reconstrução das políticas de saúde pública que foram desmanteladas durante a gestão de Jair Bolsonaro, particularmente em relação ao enfrentamento da pandemia de Covid-19.
Além de Lula, o evento contou com a presença de Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e Alexandre Padilha, ministro da Saúde. O presidente tem utilizado essas agendas na área da saúde para criticar abertamente a postura do governo anterior, que se distanciou da ciência e da defesa das vacinas em meio ao negacionismo.
Início da campanha de vacinação contra a dengue
Durante a cerimônia, também foi anunciado o início da vacinação contra a dengue para profissionais de saúde da Atenção Primária do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa vacina é 100% nacional e desenvolvida pelo Instituto Butantan. As primeiras doses já foram distribuídas aos estados, e a vacinação para a população geral, especificamente para pessoas entre 15 e 59 anos, está prevista para começar no segundo semestre de 2026, à medida que a produção se expandir.
O investimento federal para essa campanha é de R$ 368 milhões, e são esperadas 3,9 milhões de doses da vacina. Além disso, uma parceria estratégica com uma empresa chinesa visa aumentar a produção em até 30 vezes, refletindo o compromisso do governo em fortalecer a saúde pública no Brasil.
Reflexão final
Essas ações do governo Lula não apenas apontam para um esforço em garantir a saúde da população, mas também se inserem dentro de uma estratégia política que visa associar os investimentos em vacinação e a produção nacional de imunizantes a uma narrativa de reconstrução das políticas públicas. Com a aproximação das eleições de 2026, esses temas prometem ocupar um lugar de destaque nas discussões governamentais.
